• Rafael Itapetininga

"20 ANOS DE PAIXÃO"


Créditos: Revista Placar

Amigos leitores, meu nome é Rafael Itapetininga, tenho 30 anos e, nasci na cidade de Volta - Redonda / RJ, porém, moro na cidade de São Paulo há 28 anos.


Hoje, vou pedir desculpas pela falta de imparcialidade, mas quero lhes contar sobre o dia em que, definitivamente, me apaixonei pelo esporte mais fantástico inventado pelo homem. Uma paixão sem limites, apresentada pelo meu irmão Maxweld Itapetininga, para quem eu dedico esse texto. Ele me apresentou o Sport Club Corinthians Paulista e, depois disso minha vida nunca mais foi a mesma, ele me levou a jogos memoráveis, como aquele 8x2 no Cerro Porteno pela Libertadores de 1999 e, as finais do Bicampeonato Brasileiro, em 1998 contra o Cruzeiro e, 1999 contra o Atlético Mineiro, faça as contas e verás que eu era apenas uma criança.


Apesar de tão novo, já ter participado ao vivo de capítulos históricos deste clube, o ápice da paixão, a cereja do bolo que decretaria meu amor eterno e incondicional, ainda estava por vir.


Há 20 anos, eu estava em férias escolares na casa dos meu tios, como de costume em minha cidade natal e, no dia 14 de Janeiro de 2000 fui surpreendido com a visita de meu irmão e seus amigos, trajados com o manto, eles estavam a caminho do templo do futebol, para a grande final contra o Vasco da Gama.


Passaram na casa de minha tia para pegar meu primo, que serviria de guia até o Maracanã e, realizar uma alimentação, devido ao forte calor. Lembro do carro chegando na porta com a bandeira tremulando para fora, e na hora me imaginei dentro do estádio, mas meu irmão como sempre sabia fazer uma surpresa, só me disse que eu estaria na jornada no último minuto e, ali com os olhos lacrimejando segui viagem com eles.


Não tenho muitas lembranças do caminho, só me recordo que quando paramos o carro, já próximo do estádio, caminhamos um pouco e logo vi aquela magnífica obra de arte, chamada Maracanã e, sentia meu coração pulsar mais forte.


A polícia realizou um cordão de isolamento para os corintianos passarem com segurança até o estádio, haviam muitos vascaínos pois o Vasco tinha uma verdadeira seleção, e seu torcedor estava em lua de mel com o time, para se ter uma idéia, do time titular, todos os jogadores em algum momento da história já vestiram a camisa da seleção brasileira, não seria fácil.


Entramos, e logo me senti em casa, olhava para todos os lados e não acreditava que eu ali estava, nossos cantos ecoavam no estádio. Começa o jogo, o clima de tensão predominava, mais o grito de ; - Oooooo oooooooo Todo Poderoso Timãoooo, ooooooo oooooooo Todo Poderoso Timãoooo, sairá no automático.


A quem diga que este grito nascerá alí, eu respeito, mas ele nasceu em um ano antes quando todos os clubes tinham medo de enfrentar o atual Campeão Brasileiro, prestes do Bicampeonato, falo com conhecimento de causa, porém naquele dia este grito foi eternizado e, não parou um minuto de ser cantado.


O jogo em si foi extremamente disputado, com chances reais para os dois lados, mais acabou terminando empatado em 0x0, fomos para a prorrogação e o empate em 0x0 persistiu. Apesar de termos o Rei dos pênaltis, Dida como goleiro, nenhum corintiano queria ver uma disputa decidida na marca do cal.


Começa a disputa, nervos a flor da pele, pra ser sincero algumas cobranças não tive coragem de olhar, mas quando Marcelinho Carioca, meu maior ídolo na época, foi pra batida o grito de campeão já estava na garganta, não aconteceu neste instante pois o mesmo perdeu o pênalti, esse foi um dos fatos que mais me marcou nesta histórica final, ninguém no estádio, a não ser o Goleiro Helton, acreditavam que ele poderia perder a ultima cobrança da série de 5, o estádio ficou mudo por 3 segundos e logo após o grito de Vaassssscoooooo, tomou o estádio, uma decepção.


Agora lá vem ele, o melhor jogador do campeonato, o craque Edmundo pra cobrança, pensei comigo, " esse não perde ", ele partiu pra bola e isolou, comecei a chorar e a Fiel começou a gritar, é Campeão, é Campeão, é Campeão, El el el Edmundo é da Fiel.


Posso dizer que foi o dia mais emocionante da minha vida, o Coringão era Campeão do Mundo, até hoje me emociono contando está história, na saída do estádio o clima estava bélico, meu irmão sempre protetor, tentou uma saída alternativa para chegarmos até o carro, evitando encontrarmos a torcida rival, mas por azar ele com o mastro da bandeira arrancou o capacete de um policial, que só não o agrediu pois estava com uma criança de 10 anos do lado, damos risada disto sempre que nos encontramos.


Graças a São Jorge nada nos aconteceu, chegamos ao carro e fomos pra casa, quando saímos da zona de perigo, hasteamos a bandeira para fora do carro e fomos até São Paulo cantando.


Desde lá acompanho o Futebol diariamente e sempre que posso vou aos estádios declarar meu Amor eterno a essa religião, chamada Sport Club Corinthians Paulista.


Obrigado Corinthians ! Obrigado Quinho !