• Bruno Cassiano

1.09


FOTO: Reprodução

Difícil escrever sobre aniversários, a gente sempre tenta lembrar de coisas marcantes ou desejar coisas novas, sempre parece clichê. Colocar 109 anos em um texto, também não é nada fácil. Tudo se complica quando o aniversariante da vez é o Corinthians.


Pensei muito sobre o que escrever, se tratando do time, do clube, da história, há muito para se falar e ao mesmo tempo quase nada. Afinal de contas, o que há para dizer sobre o Sport Clube Corinthians Paulista?


Todos já sabem que foi sonhado e nasceu à luz fraca de um lampião, lá no longínquo 1910 no bairro do Bom Retiro. Todos já sabem de seus fundadores imigrantes e de origem humilde que tinham encanto pelo futebol do time inglês Corinthian-Casuals e que baseado neste nome batizaram o time de operários que vestia preto e creme, que viria a se tornar o tradicional e temido preto e branco.


Já sabem também do tanto que esse time lutou contra uma elite que dominava o esporte e via nele um risco de popularização, via nele um risco de que os menos afortunados tivessem mais oportunidades e voz. Sofreu boicote, fizeram manobras, contestaram vitórias e títulos (e assim é ainda nos tempos de hoje), mas não teve jeito. Aquela instituição era maior e mais rica do que qualquer outra do futebol paulista na época, mesmo sem ter nenhum tostão.


Poucos sabem, ou não analisam, o impacto social e cultural que esse ato de rebeldia em desafiar gigantes causou. Poucos sabem, ou só negam, do tamanho e da importância daquele desafio para que a partir disso novos clubes pudessem também lutar e ingressar para disputas antes reservadas apenas aos mais ricos. Poucos sabem… Sei.


Sabem, mesmo que alguns neguem, que a voz do Corinthians passou a ser a voz do povo e o povo moldou o Corinthians como ele é hoje, o time dele, o único time que não tem torcida, mas é pertencente a uma. Torcida essa que de tão populosa é considerada uma nação, com mais gente nela do que em muitos países em seus metros quadrados de terra espalhados pelo mundo. Torcida essa que é a responsável pelo maior deslocamento humano em tempos de paz, de recorde de público em estádio rival e de colocar mais de 30 mil pessoas em um estádio do outro lado do globo. Como costuma dizer as redes sociais do clube e seus torcedores pela internet, a Fiel é foda. Como discordar?


A Fiel, o maior patrimônio do clube, que cresceu ao longo do tempo, é também o amplificador da voz. Voz essa que embarga, tropeça no choro, gagueja na tristeza, mas que sempre está de prontidão para se erguer e afirmar que nunca o abandonará, porque o ama. É a mesma voz que entoa e embala um bando de loucos em qualquer estádio ou modalidade esportiva onde e quando o Timão compete. Não importa se é um jogo de sinuca ou o MMA, onde alguém estiver representando o alvinegro de Parque São Jorge, lá estará algum outro ou outros representando a torcida, só para dizer "estamos com você(s)!"


O mundo não para de girar, mas as pessoas param o que estão fazendo para vê-lo jogar. Pois é como dizem, quando o Corinthians vence o pobre fica rico e nem se chateia tanto com as preocupações do dia a dia, dos boletos para pagar, do desemprego, das incertezas e sentimentos ruins que maltratam. Quando o Corinthians vence a favela fica em festa e quando é campeão… "Ué? Já é ano novo?".


O que falar do Corinthians se tanta coisa já foi dita e escrita? Se tanta coisa já foi sentida? Se tanto caminho já foi percorrido entre lágrimas de tristeza, alívio e felicidade? Quem acompanha tanto o clube, o time, sua torcida e sua trajetória acaba falando, divagando e quando já vê… É tudo. Deu texto.


Parabéns, Corinthians!


© 2018 WEB RÁDIO DE PRIMA. DESENVOLVIDO POR MVPMOVE

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon
  • White Twitter Icon
  • White YouTube Icon
  • Branca Ícone SoundCloud