• Paulo de Paula

A BUSCA PELA RENOVAÇÃO TAMBÉM PASSA PELOS ANCIÕES


Luxemburgo volta a um Palmeiras diferente e moderno. Foto: Divulgação/SE Palmeiras

Após pouco mais de 10 anos, Vanderlei Luxemburgo volta ao Palmeiras em um cenário totalmente diferente do que se encontrava. Nessa década, o treinador apenas conquistou títulos estaduais e, desde 2017, caiu no esquecimento do mercado brasileiro, quando o Vasco decidiu apostar no seu famoso projeto. Em São Januário, conseguiu impor uma mudança drástica de ambiente. De um time limitado e forte candidato ao rebaixamento, alguns bons jogos levaram ao meio da tabela e a volta da esperança dos torcedores cruz maltinos.


Em 2020, após uma tentativa frustrada por Jorge Sampaoli, que pediu diversas regalias após um bom trabalho pelo Santos, o Palmeiras decidiu apostar em Luxemburgo. A notícia surpreendeu o mundo da bola, já que, após anunciar a demissão de Mano Menezes e Alexandre Mattos, o presidente Galliote prometeu renovação da sua equipe interna. Na direção, a escolha por Anderson Barros, ex-Botafogo, já não caiu bem. E se completou com Luxa.


Mas, porque não Vanderlei? Com um currículo invejável, dono de 5 brasileiros, 1 Copa do Brasil e Copa América, o treinador foi o último brasileiro a comandar uma grande equipe da Europa. Grande não, o gigantesco Real Madrid, maior campeão da Champions League. Sua filosofia sempre foi de ter times ofensivos e que gostavam de jogar no campo adversário, fatos esses que se encaixam no considerado “futebol moderno” da atualidade. Mas, talvez um pouco de ignorância o prejudicou no período em que esteve afastado das pautas de clubes brasileiros.


Não se pode considerar não-moderno um treinador que, no século passado, trouxe diversos modos de pensar o jogo no futebol brasileiro. Nessa década foi um fracasso, sim. Mas após resgatar as essências do Vasco, ele merecia uma nova oportunidade de brigar por títulos. Apenas dois anos mais velho que Jorge Jesus, o técnico do momento, Vanderlei possui bagagem, histórico e títulos suficientes para ter o mesmo respeito do português.


Cabe ao Palmeiras, no ano que vem, tentar resgatar as suas origens para reaproximar o torcedor em busca de outro casamento. Deu muito certo com Felipão, e porque não com Luxemburgo? Com uma grande fartura no Palestra, terá jogadores de ponta para encarar o que talvez seja a sua última chance de realizar um trabalho dominante no Brasil. E não faltará vontade para calar os considerados “modernistas” do futebol.