A importância do futsal para o jogador de futebol


FOTO: Divulgação/Prefeitura de Cláudia-MT
FOTO: Divulgação/Prefeitura de Cláudia-MT

Segundo jogo da final da Copa do Brasil, 2018. Corinthians x Cruzeiro. O placar persistia em não sair do zero, tudo indicava que assim terminaria o primeiro tempo. Aos 27 minutos tudo mudou. Léo Santos bobeou em um lance simples, daqueles que ninguém acredita que vai sair alguma jogada perigosa. Ninguém, exceto Rafinha que roubou a bola do zagueiro corinthiano. O Cruzeiro abriu o placar.


O gol não foi de Rafinha, também não foi de Barcos, que recebeu o passe do companheiro. O gol foi de Robinho, chute certeiro, sem chances para Cássio. Mas isso não importa para este texto. O importante aqui é o tempo levado por Rafinha até chegar em Léo Santos, dividir a bola e roubá-la. Tudo aconteceu em cinco segundos, desde a dominada do zagueiro alvinegro até a roubada do jogador celeste.


Cinco segundos. Parece pouco, vendo o lance nem tanto. Esse seria o tempo de domínio e passe de um jogador de futsal. Léo Santos, que jogou como pivô no futebol de salão, se atrapalhou com o domínio inicial, se desequilibrou ao dividir e caiu após perder, provavelmente não se recordou naquele momento de seus tempos de quadra.


O jogador de futsal tem menos espaço e tempo para pensar, por isso é praticamente programado a agir de forma quase automática. Recebe, olha e define o que vai fazer; tocar, chutar ou fintar. Isso se aplica, principalmente, ao time que está atacando e em posse da bola no lado do adversário na quadra. Tocar, chutar, fintar ou perder a bola e possivelmente ceder um contra-ataque. Não há tempo de se atrapalhar.


Ronaldinho Gaúcho teve seu início nas quadras, assim como Robinho. Dois jogadores com características “dibradoras” e que em uma fração de segundos podiam conseguir uma situação de gol. É o caso da programação automática, de pensar rápido, mesmo que em um espaço maior como um campo de futebol. Ronaldinho além do drible curto, era veloz e tinha o passe impecável, mesmo que o caminho se abrisse centímetros e por pouco tempo, em seu auge, ele conseguia atingir seu alvo.


Outro exemplo, e atual, de jogador de futebol que teve seu início nas quadras é Neymar, atualmente jogador do PSG. Em outubro de 2018 o atacante brasileiro já havia participado de 23 gols em 15 jogos oficiais, contando as partidas atuando pelo clube francês e as partidas atuando pela Seleção Brasileira de futebol. Terminou o ano 35 gols marcados por ele mesmo.


É fácil notar nos lances de Neymar a rapidez com a qual decide o que vai fazer com a bola e como consegue achar espaços onde poucos conseguem ver abertura para passagem da bola. Isso o ajuda a criar situações que podem resultar em gols. Isso o ajuda a se recuperar mais rápido ou até mesmo evitar os erros, como aquele cometido por Léo Santos naquele lance comentado acima.


Os treinos com espaço reduzido ou, até mesmo, a roda de bobinho, tentam simular a pressão em menor tempo para tentar acelerar o raciocínio dos jogadores, mas a simulação nem se compara com situações reais de jogo. Isso apenas quem passou pelas quadras, antes de pisar no gramado, realmente vivenciou.


O futebol há muito tempo deixou de ser um esporte completamente físico, a inteligência passou a ser um fator tão importante quanto. Vence aquele que consegue pensar mais, no menor tempo possível. E essa, amigos e amigas, é a importância do futsal para o jogador de futebol.