• Guilherme Morais

A nova era Atlético Nacional: De Ósório a Jorge Almirón

Atualizado: 6 de Mar de 2018


(Foto: Reprodução/ Instagram)



De 2012 para cá o futebol colombiano, mais precisamente o Atlético Nacional, tem vivido um momento mágico no cenário sul-americano. Não digo pelos títulos e várias e várias vezes que chegou em finais de campeonato, mas da evolução tática e técnica dentro de campo.


Juan Carlos Osório chegou ao Atlético e começou a revolucionar o jeito de jogar. Jogadores como o goleiro Armani, o zagueiro Henriquez e o meia Macnelly Torres se tornaram pilares do clube. Com seu novo treinador a ofensividade estava armada no esquema tático. Sem a posse de bola, Osorio fazia com que seus atletas utilizassem da marcação sob pressão para justamente forçar o erro do adversário, lembrando a tática utilizada por Guardiola no Barcelona, no seu tempo de sucesso. Um 4-3-3 ou até um 2-5-3 na marcação que confundia o adversário e o chutão vinha à tona. Osório fez com que a posse de bola fosse mais valorizada e cada espaço dentro do gramado pudesse ser bem utilizado. A movimentação de seu meio-campo ajudava na criação de jogadas, tanto pelas pontas, quanto pelas infiltrações pelo meio. Além de sempre trabalhar muito a saída de bola com o goleiro e os zagueiros, peças fundamentais para o desenvolvimento das jogadas.


A saída


Em 2015, Osório saiu do clube e muitos questionavam: “o que seria do Atlético dali em diante?!”. Será que o futebol seria o mesmo? Será que teria o mesmo sucesso? A resposta viria com Reinaldo Rueda, muito mais do que positiva.


A saída dele mostrou mais uma vez o acerto da diretoria do Atlético Nacional, não por mandar embora Osório, mas por continuar um projeto com um treinador ainda mais experiente. Rueda parecia mesmo uma contratação certeira: tinha no currículo passagens por seleções nacionais e uma visão que complementaria o que já estava sendo feito. Outro treinador que sempre estudou.


O time continuaria ofensivo. Porém, agora mais completo. Afinal, a sua linha defensiva ganhava mais consistência, assim como os jogadores ganharam uma sequência boa de jogos. Se o sistema defensivo passou a contar com uma base mais definida, a linha de frente se adaptava ao adversário.


Título da Libertadores, títulos nacionais. Qual seria a base desse sucesso e da qualidade do seu elenco? Observar oportunidades de mercado, trabalhar muito bem a sua categoria de base e apostas do futebol colombiano... Esta junção deu toda a glória para a equipe de Reinaldo Rueda.


No ano passado, Rueda saiu junto com alguns dos principais jogadores. Mais uma vez a equipe lucrou muito e tinha que se reformular. Talvez tenham sido os meses mais preocupantes para a torcida e diretoria, já que Juanma Lillo não conseguiu o sucesso de seus antecessores – tanto dentro quanto fora de campo. Então, deu lugar a Jorge Almirón, vice-campeão da Libertadores em 2017 com o Lanús, da Argentina. O treinador já havia acertado tudo com o Las Palmas, mas a Federação espanhola negou a licença a ele. Sendo assim, pousou na Colômbia e já havia um novo clube para o seu currículo.


Alguns jogadores foram contratados e começaram a entender a ideia do Almirón, assim como ele compreendeu como o Atlético passou a se portar dentro de campo.


Dentro do Lanús, ele sempre presou pelo bom futebol, posse de bola e qualidade no passe e finalização. Diante dessa lógica, no primeiro jogo da Libertadores contra o Colo-Colo, do Chile, os verdolagas mostraram a frieza para enfrentar um tradicional time chileno, num estádio lotado e com um futebol mais vistoso. Eficiência tática, controle do jogo e um ataque cirúrgico, sendo comandando dentro de campo por Macnelly Torres – que sempre foi um dos homens de referência da equipe.


Treinadores vêm e vão, mas a ideologia plantada desde 2012 segue a mesma. Exemplo dentro e fora de campo, o Club Atlético Nacional impõe respeito e medo aos adversários.