• Guilherme Amendola

A SAÍDA DE CUCA E O CICLO VICIOSO NO SÃO PAULO

Nesta quinta-feira os são-paulinos receberam a notícia de que Cuca não é mais o treinador do São Paulo. Ele pediu demissão pela manhã, e mais tarde em coletiva de imprensa, alegou que seu estilo de jogo não encaixou com o elenco, e admitiu que seu trabalho foi muito abaixo. Com isso, o São Paulo terá o décimo oitavo técnico em 10 anos, o que dá uma média de praticamente dois técnicos por temporada.

Foto: Joca Duarte/Photopress / Estadão Conteúdo

Com esse tipo de gestão, demitindo um treinador a cada seis meses, é impossível criar uma identidade de jogo e ter sucesso em desempenho e resultados. Para completar o São Paulo conta com constantes reformulações de elenco, vendas de atletas importantes, e compra de outros bem questionáveis.


Como o próprio Cuca admitiu, é verdade que seu trabalho, considerando a qualidade do elenco que possuía, foi muito ruim. O treinador não conseguiu implantar sua maneira de jogar para os jogadores e fazer com que o time jogasse bem e conseguisse resultados compatíveis com o investimento feito pelo clube.


Porém a diretoria atual, diga-se Raí e Leco, vêm errando há algum tempo e são deles a maior responsabilidade para o São Paulo não sair dessa má fase e não voltar a conquistar títulos. Por mais que desde a chegada do Cuca, a direção tenha atendido todos os seus pedidos, montado um bom elenco sem vender nenhuma peça, não da para excluir os erros e incompetências anteriores a esse trabalho e achar que eles não influenciam até hoje.


Para começar, quem contratou o Cuca foi a diretoria. Portanto se o trabalho deu errado, a primeira responsabilidade é de quem tomou a decisão de escolha do treinador, ainda mais nesse caso em que o clube precisou esperar dois meses para contar com ele. Desde que chegou, Leco acumula sete treinadores em quatro anos, sem que nenhum deles tenha dado certo de fato. Leco errou em vários aspectos nesse período, especialmente com o maior ídolo da história do clube, Rogério Ceni, vendendo jogadores importantes e o demitindo precocemente.


Já Raí, que oficialmente ficou responsável pela gestão do futebol a partir do início de 2018, também apresentou vários erros administrativos nesse período. Talvez o principal deles, que comprometeu toda temporada 2019 do São Paulo, tenha sido a demisão de Diego Aguirre no ano passado, faltando cinco rodadas para o fim do Campeonato, e posteriormente, a efetivação de André Jardine no cargo.


Jardine se mostrou despreparado para assumir um clube profissional naquele momento. Tanto para montar o time taticamente, quanto para ter que tomar as melhores deciões num clube grande, em crise, e que há muito tempo não ganha um título importante, o que acarretou na sua demissão após um mês de trabalho.


Por isso, discordo de quem exime a diretoria de culpa pelo momento que o São Paulo vive. A situação atual é complicada pois não há nenhum treinador no mercado que dê segurança ao torcedor, para iniciar um novo trabalho num clube que vive um momento de turbulência e que tem pouco para se aproveitar do antecessor. O ideal talvez seja manter Vagner Mancini interinamente até o final do ano, para ter mais e melhores opções para se contratar.


Independente do nome que a direção buscar para assumir o cargo, este deve ser escolhido com convicção e o trabalho deve ter continuidade, além de manter um elenco forte, sem ter grandes perdas, coisas pouco presentes nos últimos anos. O fato é que em mais um ano o São Paulo não conquista nenhuma taça, e aumenta a angústia do torcedor são-paulino que não aguenta mais sofrer com o seu clube de coração e esperar para voltar às glórias.