• Leonardo Cruz

AMADO POR UNS, ODIADO POR OUTROS...


Foto: UFC Divulgação


A edição do UFC 126, realizado em fevereiro de 2011 em Las Vegas-EUA, trouxe ao Brasil muito mais do que onze lutas de altíssimo nível. A disputa pelo cinturão da categoria dos médios entre os brasileiros Anderson Silva e Vítor Belfort abriu de vez as portas para a entrada do UFC em nosso país.


Aliás, o multicampeão Anderson Silva que era até então pouco conhecido por aqui, mesmo já tendo uma carreira extremamente consolidada no mundo do MMA, precisou de pouco mais de 3 minutos de luta e um chute frontal espetacular para se apresentar como um postulante a ídolo de um país que sempre foi apaixonado por artes marciais.


Antes desta vitória inesquecível contra Vítor Belfort, Silva, que já era dono do cinturão da categoria dos médios, defendia uma invencibilidade de treze lutas consecutivas, dentre elas, a batalha histórica contra Chael Sonnen que aconteceu em 2010 e o brasileiro, mesmo depois de "apanhar" durante praticamente toda a luta, conseguiu superar todo o desgaste físico e finalizar o estadunidense, nos segundos finais do último round do combate.


A partir da vitória contra Belfort, Anderson Silva virou “febre” no Brasil, com isso, o UFC cresceu em escala exponencial, desde crianças até os adultos mais conservadores mostravam interesse pelo evento que diferentemente do boxe, reunia lutadores com as mais variadas técnicas dentro de um octógono para medir forças.


O sucesso foi tão grande que ainda em 2011, o Ultimate realizou pela primeira vez seu evento no Rio de Janeiro, obviamente com Anderson Silva como o grande protagonista do espetáculo. Claro que o "Spider" não decepcionou e venceu com autoridade o japonês Yushin Okami no segundo round por knockout.



Foto: Getty Images

O tempo foi passando e a cada luta, Silva se tornava mais difícil de ser derrotado, sua invencibilidade era assustadora e os adversários entravam no octógono sabendo que iriam perder. O único que ainda ousava a desafiar o campeão era Chael Sonnen, este, acreditava que por ter quase vencido Silva no UFC 117, poderia sim tirar o cinturão do brasileiro.


Sonnen queria a revanche e ela aconteceu. Na edição do UFC 148, o estadunidense teve a oportunidade que tanto pediu, lutar novamente contra Anderson Silva. No round inicial, o filme da primeira luta se repetiu, Sonnen foi melhor e levando a luta para o chão, não deu chances ao campeão.


Na volta para o segundo round, Anderson Silva resolveu acabar de vez com qualquer dúvida de quem era o verdadeiro dono do cinturão. Com extrema técnica e velocidade nos golpes, atropelou Sonnen e sem maiores dificuldades, conseguiu o knockout, em uma das lutas mais marcantes de sua carreira profissional.


A diferença técnica entre o brasileiro os adversários era tão grande e Silva tinha tanta confiança no seu potencial que dizia que só poderia ser derrotado pelo seu clone. Até que o então desconhecido Chris Weidman que estava invicto na organização desafiou o campeão e dono do cinturão. O esperado encontro aconteceu no UFC162, realizado em julho de 2013.



Foto: Getty Images

Anderson Silva sempre foi conhecido por desestabilizar seus oponentes durante as lutas, mas contra Weidman Spider exagerou, provocou, brincou e terminou sofrendo um inesperado knockout no segundo round. Algo que poucas pessoas acreditavam que poderia acontecer.


Após esta derrota, a vida de Anderson Silva começou a seguir novos rumos, ele não era mais o campeão da categoria dos médios. O Utimate não perdeu tempo e uma revanche logo foi marcada, a segunda luta entre o agora campeão Weidman e Silva era o que todos esperavam e o combate chegou...


Se na primeira luta o final foi surpreendente, na segunda, o trauma para o brasileiro foi ainda maior, após dar um forte chute no estadunidense, Spider sofreu uma fratura na perna esquerda, algo que o tirou do octógono por mais de um ano. No seu esperado retorno, em luta contra Nick Diaz, outro grande trauma na vida do brasileiro, Silva foi flagrado no exame anti-doping, por uso de substâncias proibidas e foi suspenso por um ano.



Foto: UFC Divulgação

Nesse momento turbulento na vida profissional, Anderson Silva já não era mais unanimidade aqui no Brasil, muitos até questionavam suas vitórias e seu estilo de luta. Em 2017, Anderson chegou a ser retirado do card em que enfrentaria Kelvin Gastelum, por ter sido flagrado novamente no doping, mas no ano seguinte, a USADA (Agência Antidoping dos EUA) esclareceu o caso, ficou comprovado que o brasileiro utilizou um suplemento contaminado.


Mesmo com esses arranhões em sua imagem, o Spider seguiu competindo no UFC, após o período de suspensão, fez mais algumas lutas, apesar do peso da idade, e mesmo sofrendo algumas derrotas, o brasileiro fez lutas duríssimas contra oponentes como Daniel Cormier e Israel Adesanya.


Atualmente, aos 44 anos, Anderson Silva que é considerado por muitos especialistas como o maior lutador de MMA de todos os tempos ainda não fala em aposentadoria, quer sim se recuperar da lesão sofrida no joelho em sua última luta contra Jared Cannonier e desafiar o estadunidense para outro combate, algo que é bem visto pelos organizadores do UFC, mas que não tem previsão de acontecer.