• Bruno Cardoso

Após décadas de luta, o futebol feminino começa a ganhar força

Regulamento da Conmebol e CBF entra em vigor e times de futebol femininos passam a ser obrigatórios



Acervo Estadão -- Foto: Adalberto Marques/Estadão

Após décadas de promessas de incentivo, a lei, enfim, coloca-se a favor das mulheres no futebol, exatamente 40 anos após a liberação do futebol feminino no Brasil, em 1979. Desde 1941, o Decreto-Lei 3199, do governo de Getúlio Vargas, proibia a "prática de esportes incompatíveis com a natureza feminina". Sete anos depois do fim do impedimento, a Seleção Brasileira feminina entrava em campo pela primeira vez, em 1986, num confronto amistoso com os Estados Unidos.


Finalmente sairemos das cavernas, pelo menos em parte. Embora a CBF e a Conmebol tenham feito o regulamento de que os 20 participantes da Série A do Brasileiro precisarão se enquadrar no Licenciamento de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol e, por obrigação, manter um time de futebol feminino – adulto e de base –, a profissionalização da modalidade ainda não está encaixada nessa nova lei. Embora seja uma grande conquista, existem muitos pontos que deixam a desejar.


O novo regulamento da licença foi aprovado pela Conmebol em congresso, ainda no fim de 2016, com um prazo de dois anos para adaptação – portanto, passa a valer a partir de 2019 – e exige times femininos também para todas as equipes que disputarem as Copas Libertadores e Sul-Americana. As medidas se adequam ao artigo 23 do estatuto da Fifa, que cobra das confederações a adoção de medidas de governança que incluem, dentre outras questões, a incorporação de artigos que preveem a igualdade de gênero.


Dos 20 times que disputam a série A do Brasileirão em 2019, apenas 7 têm um time de futebol feminino bem estruturados: Flamengo, Corinthians, Ceará, Grêmio, Santos, Internacional e Vasco. Um número muito baixo se levarmos em conta que alguns ainda nem começaram a montar as equipes, como é o caso de Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Avaí e Fortaleza.


Na elite do Brasileiro, vale ressaltar, o clube que mantém uma equipe feminina em atividade e de forma contínua há mais tempo é o Santos. O time é o atual vice-campeão da Libertadores e funciona há quatro temporadas (2015 a 2018). No comando está a técnica Emily Lima, primeira mulher à frente da Seleção Brasileira Feminina – cargo que exerceu de novembro de 2016 a setembro de 2017.


Das principais mudanças para 2019, o campeonato brasileiro feminino da série A1 terá uma rodada a mais em comparação com o ano passado, a competição vai de 17 de março a 29 de setembro. As principais mudanças estão na série A2; o número de participantes da competição sobe de 16 para 36. O torneio vai de 17 de março a 11 de agosto. Estão classificados os 27 campeões estaduais, os dois rebaixados da Série A1 em 2018, além de sete times incluídos via Ranking Nacional de Clubes do futebol masculino (Palmeiras, Cruzeiro, Atlético-MG, Internacional, Botafogo, São Paulo e Fluminense).



Cristiane, São Paulo — Foto: Renata Damasio/saopaulofc.net

Entre a movimentação dos times para montar elencos competitivos, o destaque fica por conta do São Paulo, que contratou a atacante da seleção brasileira, Cristiane, que estava atuando no Changchun, da China, desde o meio de 2017, e se junta ao elenco tricolor para a disputa do Brasileirão A2.


Com essas novidades, o que esperamos é que realmente os clubes abracem essa iniciativa e que, em breve, possamos ver grandes jogadoras sendo reveladas, a profissionalização da categoria e salários iguais para as atletas.

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