• Vinicius Rodrigues

ARQUIBANCADAS VAZIAS E SEM ALMA



Não sou dono da verdade, falei da minha sensação, de quando a gente joga no Morumbi, no geral, não em São Paulo. De repente porque no estádio a torcida fica distante da gente, na arena [Corinthians] foi um apoio maior. Foi o que senti no momento, sou verdadeiro, desculpem”, disse Daniel Alves após a partida contra a Bolívia.


O capitão da seleção relatou que notou a torcida muito frio na estreia da equipe na Copa América diante da Bolívia. E não tiro sua razão, 47 mil pessoas foram até o Morumbi para este jogo e ao invés de batuques, barulho, cantos, no fim do intervalo o que foi visto foram as vaias, o som mais alto que saiu das arquibancadas naquela noite.


Os principais culpados deste clima frio durante um jogo de futebol, são os homens de terno que jogam para escanteio a oportunidade de trazer a paixão pelo patriotismo de volta, dirigentes que colocaram ingressos para Copa América com valores abusivos, afastando o povão deste espetáculo, trazendo apenas um público diferente para o estádio nessa competição da Conmebol.


Estádios que tem perdido seu brio, vibração, a geração da “selfie” estão tomando conta deste espaço, estádio que tem recebido telespectadores de teatro, cinema, menos torcedor de futebol, que vai sair de casa para apoiar a camisa que defende.


A primeira rodada da Copa América deixou bem claro o pequeno interesse do público nos jogos da competição, cerca de 217 mil cadeiras ficaram vazias durante os jogos do último final de semana, o menor público ficou para o jogo entre Venezuela x Peru na Arena do Grêmio com apenas 11 mil pessoas.


O presidente da Conmebol se assustou com a primeira impressão já que os estádios tiveram um espaço de ocupação pequeno, sendo ele o principal responsável pelo acontecido, a maior prova que ele não está preocupado com a sustentabilidade é colocar R$ 120 em um ingresso para um jogo entre Paraguai x Catar no Maracanã, algo totalmente sem nexo.


Única certeza que eu tenho, a cada dia que passa, quanto menor o poder aquisitivo das pessoas, assim também será a chance delas estarem presenciando eventos deste porte no nosso país, já que a resposta da bilheteria tem sido cruel e assusta os verdadeiros torcedores.


Até aqui o que foi visto, são os dirigentes ignorando o caráter de um povo que poderia fazer festas nas arquibancadas, mas são impedidos pelo alto custo para custear um ingresso e acompanhar nossa seleção, parabéns aos dirigentes que forçam uma elitização e comemoram as rendas inflamadas. E deixam morrer arquibancadas, que ficam sem cantos e sem alma, o futebol morre aos poucos. Parabéns aos envolvidos!