• Alexandre Cardillo

CHOQUE-REI E O EMBLEMÁTICO ANO DE 1942: A ARRANCADA HERÓICA!


Nesta semana, teremos mais um confronto envolvendo Palmeiras e São Paulo. O clássico, também conhecido como Choque-Rei, apelido dado pelo saudoso jornalista Tomaz Mazzoni na década de 40, em virtude da importância do confronto, teve ao longo de sua história, jogos épicos e repletos de polêmicas. Mas o ano de 1942 foi um verdadeiro marco na rica e estupenda página deste clássico, com magnitudes que dignificam o apelido em questão.


O mundo vivia o grande caos da Segunda Guerra Mundial. No Brasil, o então presidente Getúlio Vargas sanciona um decreto (4.166), declarando guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), exigindo que instituições, dentre elas, clubes de futebol, retirassem de suas razões sociais, nomes ligados a tais países. No caso do Palestra Itália, fundado em 1914, a mudança ocorreu em 1942, para Sociedade Esportiva Palmeiras. Entendo o decreto: o Brasil rompeu ligações diplomáticas com os países do Eixo, depois que alemães e italianos iniciaram o torpedeamento de embarcações brasileiras no Oceano Atlântico. Com isso, o governo brasileiro junta-se aos países aliados (EUA, URSS, Reino Unido, França, entre outros), declarando guerra ao Eixo. Voltando a falar de futebol, tal passagem na história culminou com uma dúvida que pairava na mente dos jornalistas esportivos à época: como o torcedor iria encarar esta mudança repentina de nome? Vale ressaltar que a mudança para Sociedade Esportiva Palmeiras aconteceu, precisamente, na noite de 14 de setembro de 1942. Após muitas discussões para se chegar ao novo nome, ficou decidido Palmeiras, tento a letra P como principal embasamento à repentina mudança, mantendo as tradições do antigo Palestra. E na noite de 20 de setembro, a resposta à pergunta dos críticos foi respondida. O Palmeiras entra em campo para a decisão do Campeonato Paulista, contra o São Paulo, levando a bandeira brasileira, conduzida pelo lendário goleiro Oberdan Cattani e pelo então 2º vice-presidente do clube e capitão do Exército Brasileiro, Adalberto Mendes. A entrada foi surpreendente e de certa forma, triunfal, pois amenizou a pressão da torcida rival. O jogo até hoje é reverenciado como um marco e um dos mais emblemáticos do Choque-Rei. Uma partida acirrada, violenta. Mas no final, vitória do Palmeiras, por 3 a 1 e abandono de campo por parte dos jogadores do Tricolor, após a marcação de um pênalti cometido por Virgílio em Og Moreira, aos 21 minutos do segundo tempo. Com o abandono de campo, o título fica com o Palmeiras. Êxtase total dos palmeirenses no Pacaembu.


Este capítulo foi um ícone para a memória do Choque-Rei. O futebol naquele ano era galgado pelo viés do amor à camisa. Uma mudança da noite para o dia, literalmente, mexeu sim com a paixão dos torcedores. Mas de pronto, aceitaram e abraçaram o clube de antes, com o novo nome. A rivalidade entre os dois clubes aflorou naquele ano e perdura até os dias de hoje. Um clássico rico, um clássico histórico. Muitas decisões foram jogadas. Muitas partidas extraordinárias. Muitas emoções. Na próxima quinta-feira, mais um jogo para a história. Um choque de realidade nos elencos atuais. De um lado, um time com altos investimentos. De outro, um elenco ainda em construção, que vai em busca da sua primeira vitória na nova casa palmeirense, o Allianz Parque. Mas a verdade é uma só: o choque será sempre o Choque Rei!