• Luís Santana

Da traição a redenção: a relação de LeBron James com Cleveland.


Foto: Tony Dejak/AP


Na noite dessa quarta-feira (21), tivemos um novo retorno de LeBron James à Cleveland, dessa vez, pisando em quadra como um laker. Uma atração à parte para o público da NBA, em especial, para os torcedores de Cleveland, que puderam ver depois de mais de cinco meses, o “seu Rei” de perto mais uma vez.Desde que a NBA disponibilizou o calendário da temporada 2018/2019, a torcida do Cavs aguardava ansiosamente a noite do dia 21 de Novembro. Não por ser um jogo de rivalidade, nem por ser estreia de algum jogador ou uniforme, mas sim, pelo retorno de LeBron James à Q-Loans Arena. Não foi a primeira vez que LeBron James esteve em Cleveland sem ser um cavalier. No dia 2 de Dezembro de 2010, tivemos um jogo que também representou a volta de LeBron à Quicken Loans Arena. Depois da polêmica decisão de James em trocar Cleveland por Miami, o camisa 23 que na época vestia a 6, enfrentava seu ex-time. Um jogo com um clima completamente diferente. Torcedores não o viam como um rei, e sim, como um traidor, um jogador que amarelava e era incapaz de conquistar um título para sua cidade. Um traidor que precisaria se juntar a um supertime para conquistar um anel. Mas quando a bola finalmente pingou, aquele frágil Cavaliers não foi páreo para o big-3 de Miami, o Heat aplicou uma grande vitória por 118-90 para cima dos mandantes. Sob muitas vaias, cartazes provocativos e um clima nada amigável, LeBron James anotou incríveis 38 pontos e distribuiu 8 assistências, jogando apenas 3 quartos, durante 30 minutos. Wade e Bosh ainda combinaram para 37 pontos. Parecia que LeBron e Cleveland não tinham mais nada a ver, parecia que nunca mais franquia, torcida e jogador voltariam a entrar numa sintonia, ninguém imaginaria o que estava por vir pela frente. Quase 8 anos depois, quem diria que o LeBron estivesse novamente pisando em Cleveland defendendo cores diferentes de Cavs ou Heat? Quem imaginaria que LeBron ainda teria mais quatro temporadas com o Cleveland? Pois bem, LeBron não só voltou à Cleveland, como finalmente conseguiu cumprir sua promessa. Depois de mais de 5 décadas sem títulos em qualquer liga sequer, a cidade novamente estava em festa. O tão sonhado troféu Larry O’Brien finalmente era erguido por um cavalier. O mesmo cavalier que a torcida não queria ver nem pintado de ouro estava lá, chegando com o troféu em uma das maiores festas que a NBA já viu. E novamente víamos torcedores, franquia e jogador numa sintonia, afinal, se em Dezembro de 2010 haviam uma pequena parte da população vaiando de dentro da Q-Loans, em Junho de 2016 quase toda a população o ovacionava nas ruas da cidade.E é por isso, que mesmo trocando o ouro e vinho do Cavs pelo dourado e roxo do Lakers, LeBron não chegou ao ginásio em Cleveland com um traidor, nem como um covarde. Dessa vez ele foi recebido como uma entidade, até porque LeBron não é mais “apenas” o melhor jogador de basquete, ele ganhou tanto respeito e admiração fora das quatro linhas, que pode bater de frente com o presidente dos Estados Unidos sem sofrer nenhuma punição sequer, realmente como se pudesse fazer qualquer coisa no meio de seus súditos, uma verdadeira majestade. Nessa noite, as vaias foram trocadas por euforia e aplausos quando o locutor anunciou a entrada do camisa 23, os cartazes provocativos agora eram cartazes de gratidão, recebendo até homenagem no telão. Definitivamente foi diferente em quase todos os aspectos do que na primeira vez que LeBron jogou contra o Cavs em Cleveland. Até mesmo dentro de quadra, LeBron não teve tanta facilidade para vencer sua ex-equipe, muito pelo contrário. Mesmo em processo de tank, o Cavs fez um jogo de igual para igual contra o embalado Lakers. O jogo foi equilibrado do começo ao fim, mas terminou com uma nova derrota do Cavs. O Lakers bateu o time de Ohio por 109-105, LeBron mais uma vez foi destaque anotando com duplo-duplo com 32 pontos e 14 rebotes, e ainda distribuiu sete assistências. Mas o que importa mais uma derrota na temporada para um time em tank? O que importava era a festa e a recepção para o “Rei de Cleveland”.