• Luana Reis

Das inspirações (em meio às intempéries)

No dia do jornalista, o time do site da De Prima conta quem são os comunicadores que os inspiram no exercício da profissão





Foto: rawpixel.com/Unsplash


Às vésperas da decisão do Paulistão 2018 a equipe da De Prima reúne alguns nomes de jornalistas que os inspiram a trilhar uma carreira na área – em meio às (tantas) intempéries reservadas à classe trabalhista. Caco Barcellos, Paulo Vinicius Coelho, Fátima Bernardes, Ricardo Kotscho, Milton Jung e Ana Paula Padrão são os “craques” da comunicação selecionados pelos colunistas.


Um craque na apuração: Caco Barcellos


Para a colunista Gabrielly Sousa, Caco é uma inspiração, “por ser um jornalista que vai além de somente repassar a notícia. Ele me inspira a sempre buscar mais a fundo, seja qual for a informação que eu tenha que apurar. Com o seu livro ‘Rota 66’ consegui enxergar o tipo de profissional que quero ser: determinada e destemida. O extenso banco de dados utilizado para sustentar todas as informações que ele consegue [na narrativa] é uma ótima ferramenta de trabalho, na qual também me inspiro”.


Além de Gabrielly, Bruno Cassiano também se espelha no jornalista e autor de outro livro-reportagem famoso entre estudantes de comunicação, “O Abusado”. “O considero um ótimo repórter desde sempre. É um dos poucos que faz jornalismo e é honesto dentro da empresa que trabalha. Admiro muito o lado escritor [dele] também. ‘Rota 66’ é um clássico. Caco foi o primeiro ídolo que tive na profissão”.


Craque das narrativas boleiras


No nosso campo, no jornalismo esportivo, o nome mencionado por Guilherme Morais e Emerson Santos foi o de Paulo Vinicius Coelho, o PVC. Para Morais, “é um dos melhores jornalistas esportivos da atualidade. Seu conhecimento com a história do futebol é fora do comum. Tive o prazer de ler um livro seu e assistir a uma palestra sobre táticas no futebol, área que mais me interessa na análise esportiva”. Além de bom escritor e palestrante, o colunista acredita que PVC é um “grande comentarista, principalmente com dados históricos”. Esses fatores motivam Morais a alçar sua carreira no nicho.


Quanto a Emerson Santos, o colunista está no último semestre do curso de jornalismo e admira o PVC não só por ser um estudioso sobre a modalidade mais querida do país, mas por trabalhar com dados, usar informações que a maioria das pessoas não lembram – ou mesmo desprezam. “Passei a acompanhar o trabalho dele em 2010, quando [ele] estava no programa Bate-bola, da ESPN. Houve um momento em que um comentarista da mesma emissora perguntou a ele sobre a escalação do Palmeiras de 1965 e ele, sem pensar muito ou mesmo consultar algo, descreveu todo o time do Alviverde. Fiquei impressionado em casa, assistindo, pela forma como ele conseguiu decorar o time e, além disso, falou como foi uma partida, com muitos detalhes. Por isso sou fã do trabalho dele e procuro seguir nesse estilo, analisando clubes e apresentando dados oficiais”.


Craque da comunicação


Já a nossa editora Lívia Camillo tem como inspiração duas jornalistas renomadas: Ana Paula Padrão e Fátima Bernardes. “Dentre as várias inspirações que tenho no jornalismo, Ana Paula Padrão é uma das profissionais que mais me chama a atenção. Mesmo fora do eixo Rio-São Paulo, a repórter, natural de Brasília, conquistou um espaço que a maioria dos jovens profissionais sonha nesta área: ser âncora. No entanto, após anos de bancada, teve fibra, assim como Fátima Bernardes - outra grande responsável pelo meu amor por este ofício -, para mudar de ares, e aceitou conduzir o MasterChef, um reality show de culinária. Tal atitude só prova sua versatilidade, seja na credibilidade jornalística ou no talento para entreter. Em outras palavras, uma comunicadora nata”, explica.


Craques, per si


E de fechamento, cito os meus craques do jornalismo e da comunicação como um todo: Milton Jung e Ricardo Kotscho. Ser jornalista não significa exatamente ser comunicador – notamos isso ao analisar a cobertura diária da mídia pelo Brasil afora. Por isso, cito Jung e Kotscho como completos comunicadores. O primeiro é âncora na Rádio CBN São Paulo e palestrante. Ele iniciou a carreira no jornalismo esportivo, pelo dial mesmo, mas, infelizmente, logo deixou a editoria e partiu para o noticiário geral. Foi uma perda e tanto para a nossa editoria, mas as demais ganharam uma voz forte, com respaldo e credibilidade para a interpretação dos fatos frente ao microfone. Eu o admiro pela postura, o domínio da técnica quanto ao jornalismo por si só e ao veículo que mais amo: o rádio. Jung é um ponto de luz, de esperança no dial brasileiro, não por dar uma voz grave à notícia, mas pelo zelo, o carinho com que a difunde para a audiência.


Quanto a Kotscho, para mim é simplesmente o maior repórter brasileiro. Sempre fui apaixonada pelo rádio, mas a escrita é meu “primeiro amor”, digamos. Assim, quem conhece o trabalho deste profissional, que já passou por todos os setores viáveis do jornalismo, sabe que sua escrita é intocável, com uma prosa afiada e, de quebra, desmonta qualquer leitor, instigando sua sensibilidade. Kotscho e Jung conseguem dominar e matar o lance mais difícil da profissão: colocar-se no lugar do outro para, então, repassar o relato. Que a comunicação exige empatia. São craques, per si.