• Evelyn Cristina

Derby é um campeonato a parte

O derby ocorrido no último sábado (02) sem dúvidas seria um divisor de águas na vida do Corinthians. Com duas derrotas em quatro jogos, inclusive vindo de uma derrota em casa para o RB Brasil, o lema para a equipe alvinegra era ganhar ou ganhar. O discurso não podia ser outro. Pelo lado verde, as coisas estavam bem, o time vinha invicto, líder de seu grupo e com certeza o favorito para o clássico. Mas é o que sempre dizem: em clássicos não há favoritos.


Primeiro derby na volta de Fábio Carille, o técnico optou pela segurança e focar naquilo que sempre foi um dos maiores destaques de seus times e o que sempre foi mais elogiado – e também criticado. Seus comandados viriam com uma postura defensiva, até por estar fora de casa sem o apoio do seu torcedor que é sempre fundamental, com linhas de marcação mais próximas e a aposta no contra-ataque.


Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

O jogo iniciou equilibrado, mas logo aos 7 minutos do primeiro tempo, Danilo Avelar resolveu liquidar a fatura para a equipe do Parque São Jorge. Após uma ótima defesa de Weverton na cabeçada de Gustavo, o lateral esquerdo do Corinthians na sobra mandou para o fundo do gol, fazendo a alegria do bando de loucos.


Daí para frente foi apenas pressão da equipe do Palmeiras. Com dominância do jogo, a equipe de Felipão teve 61% de posse de bola, porém isso não se convertia em chances de gol, pois não conseguiu ter nenhuma finalização certa na meta alvinegra durante todo o primeiro tempo. As linhas defensivas de Carille surtiam efeito, obrigando os jogadores alviverdes a praticarem a bola levantada na área nada menos que 53 vezes, abusando do que vem sendo o terror para o time e torcida alvinegra.


Dudu foi o principal jogador do Palmeiras a tentar articular as jogadas de sua equipe, principalmente com ótimos cruzamentos, que carimbou a trave do goleiro Cássio em uma dessas tentativas, mas nem Borja, nem Carlos Eduardo conseguiram aproveitar quaisquer chances criadas pelo camisa 7.


O segundo tempo já começou com uma inversão do alvinegro: Jadson foi para a esquerda e Mateus Vital, caiu para a direita. Com isso, seguia-se as ameaças do Corinthians apenas no contra-ataque, quando conseguia se livrar um pouco da pressão dos donos da casa, mas não surtia efeito algum, já que Gustavo, lá na frente, seguia bem marcado também.


Apenas aos 20 minutos do segundo tempo, enfim, Cássio fez uma defesa após um chute de Dudu que foi desviado em Danilo Avelar. Corinthians só teve mais chances novamente após trocas de seu técnico, colocando Gustavo Silva no lugar de Vital, Richard no lugar de Ramiro e Pedrinho na vaga de Jadson.


Apesar da dominância palmeirense no jogo, o Corinthians foi quem conseguiu acertar o alvo mais vezes, obtendo 3 finalizações corretas, em 4 tentadas, contra apenas 1 do rival, em 19 chutes, tendo apenas 4% de acerto. Percebemos o quão isso é absurdo e lembramos do fato de que o futebol que Carille prega em 2019 é o mesmo de 2017: pragmático.


O alvinegro de Parque São Jorge obrigou o alviverde a praticar um jogo que não está acostumando, forçando o famoso “chuveirinho” e fazendo poucos lançamentos. O Timão, pouco entrosado devido as novas caras para o ano de 2019, aproximou as linhas para melhorar sua marcação, deixando clara sua proposta de se defender, administrando assim o jogo da forma que quis e se propôs na casa do rival. Com isso, conseguiu irritar os adversários e amarelar os volantes Felipe Melo e Bruno Henrique antes mesmo do primeiro tempo acabar.


E com mais essa vitória na bagagem, Carille aumenta sua supremacia no derby, tendo 7 vitórias em 8 jogos, além de um título na casa do rival. Tem gente que não gosta do estilo de jogo que o Corinthians abusou de jogar contra o arquirrival, mas também há quem diga que o importante é a vitória e os 3 pontos na mala. Vários jogadores do time dono da casa disseram que “apenas um time jogou”, mas eu não creio que seja assim, pois para suportar a pressão e a dominância do Palmeiras em campo da forma que foi, o Corinthians teve que jogar... e MUITO!