DESCANSE EM PAZ, MESTRE



FOTO: Reprodução/TV Bandeirantes
FOTO: Reprodução/TV Bandeirantes

As manhãs não serão mais as mesmas, assim como as noites também não serão. O jornalismo mudou do bom dia ao boa noite em um curto espaço de tempo e com isso toda a nossa rotina se alterou também.


Não ouviremos mais os comentários afiados, coerentes e lúcidos, naquela voz que chamava e prendia a atenção, que oferecia, muitas vezes, uma luz sobre assuntos complicados. Também não ouviremos as risadas gostosas após algum comentário irônico do Simão, não iremos mais rir juntos.


A companhia de quem vai para o trabalho, para a faculdade, de quem vai passear ou até mesmo de quem acordava apenas para estar com essa companhia na hora do café, se foi. Não deu tempo da despedida, do último abraço, de dizer o quanto importava estarmos juntos... Não disse adeus, nos deixou.


Com Ricardo Boechat, o jornalismo também se foi um pouco. A luta pela liberdade de expressão e de imprensa esmoreceu um tanto. A perseguição pela verdade em tempos de fake news ficou mais fraca. A verdade é que até o cinza de São Paulo ficou mais melancólico em tons até então desconhecidos.


Boechat amou a profissão, amou o esporte (era Flamenguista, mas tinha uma parte de seu carinho em muitos outros clubes por aí) e, acima de tudo, amou as pessoas. Diversas são as manifestações de quem pôde conviver com ele, independente do espaço de tempo, e com sua generosidade e sorriso caloroso, sempre disposto a estender uma mão amiga ou um ombro compreensivo.

Perdemos muito. Uma perda irreversível, daquelas que não temos chance alguma de virar, seja no campo, seja nos tribunais ou ao decorrer da vida. Perdemos um ser humano excelente e o maior âncora da TV brasileira, como se cansou de dizer Datena. Perdemos o maior de todos os tempos. Aquele que inspirou muitas gerações depois dele e que continuará inspirando, pois se o jornalismo fosse sintetizado em uma única pessoa, ele seria o Boechat, de corpo e alma.


No fim, os aplausos não foram apenas das redações do Grupo Bandeirantes, as lágrimas nos olhos e as vozes embargadas também não. Nosso choro foi o mesmo, todos entendemos logo de cara quem havia partido. Os aplausos foram de nós jornalistas, dos taxistas, das domésticas, das donas de casa, dos estudantes de jornalismo, dos pedreiros, dos chapeiros... Os aplausos foram de todos os brasileiros.


A vida é só um detalhe, um sopro... Feliz de quem pôde curtir a ventania que foi Ricardo Boechat.


Descanse em paz, mestre.