• Bruno Nunes

E NUNCA MAIS TOBOGÃ

A semana começou com a notícia da concessão do estádio do Pacaembu que será administrado pela iniciativa privada pelos próximos 35 anos. No projeto apresentado hoje (16), está prevista a demolição do Tobogã, setor popular que acolhe os torcedores de menor renda da cidade de São Paulo e uma das últimas opções de baixo custo para assistir uma partida de futebol envolvendo os principais clubes do estado.



Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

O contrato assinado hoje entre a Prefeitura de São Paulo e o Consórcio Patrimônio SP estabelece a demolição do Tobogã para a construção de um moderno edifício que irá abrigar lojas, escritórios e eventos. Mas e o Futebol ? Segundo o CEO do consórcio Eduardo Barella, o futebol deixará de ser a principal receita do estádio correspondendo a cerca de 15% dos ganhos, A capacidade cairá para algo em torno de 26 mil lugares e a frequência de jogos será menor.


"Estamos prevendo quinze jogos de futebol profissional por ano” disse Barella para a revista "Veja".


Mais uma vez quem sairá prejudicado com a concessão de um patrimônio público será a população pobre da cidade que está sendo excluída gradativamente do ambiente dos estádios. São vários os torcedores que deixaram de acompanhar seu time do coração devido ao custo elevado dos ingressos e também aos programas de sócio torcedor, que cobram um valor alto para o serviço que dá prioridade na compra de ingressos. Essas mudanças fizeram com que o Pacaembu e em especial o Tobogã, se tornassem uma das poucas opções para esse público acompanhar uma partida de futebol, e não há um torcedor que não tenha uma boa lembrança de lá.



Previsão de como deve ficar o setor com a demolição do Tobogã Sol Camacho/Escritório Raddar


E para que isso afinal?


Quando o futebol deixa de ser prioridade na administração de um estádio algo certamente está errado. As propostas deste consórcio são claras, não visam o lazer e a integração da população, principal utilização do patrimônio público, e sim o lucro de alguns investidores e a inauguração de mais um espaço para a alta classe paulistana frequentar. Em contrapartida a prefeitura se livra de um gasto e valoriza uma das regiões mais nobres da cidade, lar de desembargadores, deputados e grandes empresários, enquanto o torcedor de baixa renda perde mais um espaço que deveria ser público.


O consórcio Patrimônio SP prevê iniciar as obras de transformação no estádio no primeiro semestre do ano que vem. A duração prevista é de 28 meses.


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