• Bruno Cassiano

ERVA DANINHA


FOTO: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
FOTO: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

Há um tipo de planta que cresce em meio a outras sem ter sido plantada. Entre quem faz o cultivo, gosta da terra e se esforça para ter algo, mesmo que pequeno, ela é muito indesejada. É preciso ter atenção para não deixá-la se proliferar ou a dor de cabeça será certa.


A pior característica desse tipo de planta, o que a faz ser indesejada, é crescer mais rápido do que as outras e, assim, impedir o crescimento e desenvolvimento das demais. Elas sufocam, impedem a fotossíntese e atrofiam as "vizinhas". É completamente complicado se livrar dela.


Sim, estou falando da erva daninha.


Tem um tipo mais específico, bem conhecido, que se chama joio. Ele cresce em meio ao trigo, com aparência de trigo, mas ele não é trigo, pelo contrário. Apenas uma pequena quantidade misturada e processada, consegue estragar todo o resto. É por isso que é preciso separar o joio do trigo.


Você deve estar se perguntando o motivo pelo qual esse texto trata de plantas em um site esportivo, eu explico. Há semelhanças no plantio e no futebol, por exemplo: uma plantação bem cuidada rende uma melhor colheita ou flores mais bonitas, assim como um clube bem gerido alcança objetivos. Enquanto a horta mal cuidada é dominada pelas ervas daninhas, os clubes mal cuidados são dominados por grupos tão danosos quanto.


Nosso maior exemplo no futebol atual é o Cruzeiro, um clube quebrado, com um time infectado. Rogério Ceni e Mano Menezes sentiram na pele o que pequenos grupos são capazes de fazer a um elenco inteiro, ambos pagaram com seus empregos e despedidas melancólicas.


No Cruzeiro há uma diretoria que impede o crescimento do clube e o sufoca, e jogadores que misturado aos outros estragam a totalidade do elenco, que o corrompe da pior forma possível. É a erva daninha que sufoca e o joio que envenena, que cada dia que passa causam danos maiores a uma plantação que agoniza aos olhos de seus cuidadores.


Ao contrário de quem planta e gosta da terra, lá no azul celeste, essas ervas são regadas e tratadas como desejadas, tratadas como se tivessem alguma qualidade, mas não têm. Lá se separa o trigo do joio e não ao contrário, e a erva daninha tem todo o espaço e liberdade do mundo para impedir e sufocar qualquer outro tipo de planta.


Enquanto for deixada de lado a necessidade de carpir as ervas daninhas e separar o joio do trigo, o Cruzeiro continuará nesses trilhos que dão em um único destino, um destino tão indesejado quanto as plantas que surgem sem pedir, mas muito merecido e certo a quem não prioriza o cuidado e deixa grupos tomarem conta.