• Leonardo Cruz

EU TERIA UM DESGOSTO PROFUNDO, SE FALTASSE O FLAMENGO NO MUNDO


FOTO: AFP

O Flamengo perdeu para o Liverpool pelo placar de 1x0 na tarde de ontem (21/12), em partida válida pela final do Mundial de Clubes da FIFA. O jogo foi realizado no estádio Khalifa International, localizado na cidade de Doha, no Catar.

Como já era de se esperar, o Flamengo teve pela frente um adversário extremamente competitivo e com muita qualidade técnica. Inegavelmente, os principais clubes europeus possuem um poderio muito superior em relação aos nossos times sul-americanos.

Mas mesmo sabendo de todas as dificuldades, o Mengão não abandonou seu estilo de jogo vencedor, encarou os ingleses como a “nação” esperava que fosse, jogando futebol e não tendo medo de correr atrás da vitória.

Na parte final do segundo tempo e na prorrogação, talvez o preparo físico tenha feito total diferença, o Flamengo com mais de 70 jogos no ano estava enfrentando um forte Liverpool que está no meio da temporada europeia. Alguns atletas do Fla sentiram um desgaste físico muito forte e consequentemente o desempenho foi diminuindo com o passar do tempo.

No final, a dor da derrota se transformou em orgulho do que os atletas fizeram em campo e em certeza de que o trabalho que está sendo realizado tende a colher mais frutos nas próximas temporadas do que foi em 2019.

Mas este ano para os flamenguistas não pode terminar com tristeza, e sim, com muitos motivos para sorrir, afinal muitas conquistas e recordes foram alcançados por um time que foi projetado para ser vencedor.

Verdade que nos primeiros meses do ano, sob o comando de Abel Braga, o Fla viveu momentos de instabilidade, a equipe não conseguia jogar bem mesmo com os resultados aparecendo. O título de campeão carioca não amenizou a situação do comandante rubro-negro, aliás, a conquista desta taça foi considerada mera obrigação, já que os principais rivais não conseguiam fazer frente ao poderoso Flamengo.

Nas disputas da Conmebol Libertadores e do Campeonato Brasileiro que se desenvolveram de forma concomitante, o Flamengo era considerado um dos favoritos, mas não conseguia se impor frente aos rivais da forma como a torcida esperava.

A saída de Abel Braga foi algo que foi amadurecendo ao longo dos últimos meses do primeiro semestre e se tornou algo inevitável. Com a chegada do português Jorge Jesus ( que teve o período da parada para a disputa da Copa América para treinar a equipe), tudo mudou, mesmo com alguns tropeços no início de seu trabalho, como uma derrota acachapante para o Bahia na Fonte Nova por 3x0 e o revés para o Emelec no Equador na partida de ida das oitavas de final da Conmebol Libertadores, era nítido que o Fla tinha outra perspectiva para o restante da temporada.

E ao longo das partidas, esta evolução foi se confirmando, o time passou a apresentar um futebol cada vez mais encantador e convincente. Os atletas mais ofensivos começaram a ter grande destaque individual, o que influenciou diretamente na parte coletiva também. A chegada dos laterais Rafinha e Filipe Luís não só acrescentaram tecnicamente, como também deram mais experiência ao setor defensivo do Flamengo.

O meio-campista Gérson merece um capítulo à parte nesta história vitoriosa, jogador que apareceu no Fluminense como meia, voltou da Europa mais completo, com uma consciência tática que impressionou. No Flamengo, jogou como segundo volante, e fez uma dupla perfeita com Arão. O camisa 8 ao mesmo tempo que consegue marcar muito bem, preencher os espaços, tem muita qualidade para iniciar a armação das jogadas, possui uma incomum leitura de jogo e ainda tem fôlego para chegar ao ataque para dar bons passes ou até mesmo fazer gols.

Nos meses finais do ano, com certeza surgiu a dúvida se esse Flamengo teria realmente a arrancada necessária para conquistar o Brasileirão e a Libertadores, algo raro aqui em nosso país. Jorge Jesus, contrariando tudo o que estávamos acostumados a ver aqui no Brasil, dificilmente poupava seus atletas, dando prioridade aos dois campeonatos.


FOTO: Luka Gonzales/AFP

Enfim, chegamos às retas finais do Brasileirão e da Libertadores, e o que vimos foi encantador, um Flamengo que vencia seus adversários com extrema facilidade, jogando um futebol maravilhoso, goleadas, dribles, o verdadeiro futebol arte que permitiu que o Brasil conquistasse cinco Copas do Mundo.

No campeonato nacional, seus principais rivais sucumbiram diante de um Mengão que não só garantia o título a cada rodada, como batia recordes técnicos como gols marcados, pontuação e recordes de público, com um Maracanã “pulsando” a cada espetáculo proporcionado pelos seus jogadores.

Na disputa da Libertadores, que possui um formato diferente do Brasileirão, o Fla se mostrou ainda mais completo. Soube sair muito bem das dificuldades de jogos fora de seus domínios e foi letal quando jogou em casa, sendo impiedoso nas partidas decisivas. Na final contra o temido River Plate, o grande desafio, foi dominado em boa parte da partida, mas poucos minutos foram suficientes para o artilheiro do Brasil tirar por duas vezes o grito de gol da garganta de milhares de rubro-negros espelhados por todo o país.

Para coroar o ano do Flamengo, nada melhor do que conquistar no mesmo final de semana dois dos títulos mais importantes para nossas equipes, o Brasileirão e a Libertadores. E isso aconteceu, e mais do que as taças, a certeza é de que o grande vencedor nesta temporada foi o torcedor que independente da sua preferência, pode se orgulhar de ter visto um time de futebol simplesmente fantástico, que não se contentou em apenas apresentar resultados e sim, jogar de forma a encantar nossos olhos. É como diz a frase do hino: “ Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o Flamengo no mundo”.

Clube de Regatas do Flamengo, muito obrigado por trazer novamente aos torcedores, o prazer de assistir uma partida de futebol. Espero que as outras equipes do Brasil vejam o que aconteceu neste ano como aprendizado para que amanhã tenhamos muitos “Flamengos” espalhadas por todo o país.

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