• Bruno Cassiano

FIELZONE: BOA OU MÁ IDEIA?

Atualizado: 16 de Fev de 2019


FOTO: Guilherme Morais
FOTO: Guilherme Morais

O torcedor Corinthiano já habituado com todos os espaços disponíveis para assistir a um jogo na Arena Corinthians, agora contará com mais um para escolher. O “FielZone”, como será chamado o maior camarote do estádio até o momento, promete uma nova experiência antes e durante os jogos do Timão. O local tem inauguração marcada para sócios, convidados e ex-jogadores no próximo clássico contra o São Paulo dia 17, em jogo válido pelo Paulistão 2019.


O FielZone, localizado próximo ao setor oeste, terá uma área de 1,5 mil metros quadrados, capacidade para 300 pessoas em dias de jogos e 1000 pessoas em outros eventos, com a temática da famosa marca de bebidas Jack Daniel’s. Lá o torcedor contará com uma barbearia, videogame, mesas de sinuca e pebolim, palco para apresentações musicais, open bar (com drinques não alcoólicos), uma hamburgueria e churrascaria, com churrasqueiro particular. A área externa do camarote conta com um deck com “vista privilegiada do campo” e uma piscina de dois metros de circunferência, chamada de “Black Pool”.


Tanto a construção e decoração, quanto a operação não custarão um centavo aos cofres do Corinthians. Isso porque o projeto está sendo realizado em parceria com o empresário Leonardo Rizzo, que tem 16 anos de experiência nesse tipo de trabalho e já montou estruturas em jogos da Seleção Brasileira, além do estádio do Morumbi e Allianz Parque.

Os preços irão variar dependendo da importância dos jogos e/ou da competição. Uma partida válida pela Copa Libertadores da América, por exemplo, irá custar entre R$300 reais e R$25.000 reais, para quem quiser assistir no máximo conforto do camarote. Já no clássico contra o Santos, no próximo dia 10 de março, os preços estarão entre R$300 reais e R$8.000 reais.


É aí que surge a pergunta que intitula o texto: FielZone: Boa ou má ideia?


Se pararmos para pensar na torcida do Corinthians como um todo, é uma má ideia. Os, mais ou menos, 35 milhões de alvinegros que compõem a Fiel, são formados majoritariamente por pessoas de baixa renda, este é o motivo da existência de uma das alcunhas mais famosas do time “O Time do Povo”. Porém o estudo por trás das motivações da construção do camarote não leva em conta a torcida como um todo, mas sim o perfil do torcedor que frequenta o estádio.


Em 2017 a Arena Corinthians divulgou em seu site uma pesquisa que mostrava a renda dos torcedores que frequentavam os jogos do Timão. Uma fatia de 31,5% dos entrevistados na ocasião disse ter renda familiar entre R$3.520 reais e R$8.800 reais, outros 17,1% afirmavam ter de R$ 1.760 reais a 8.800 reais, mais 17,1% de 8.800 reais a R$ 13.000 reais, 12% eram os mais “ricos” com R$ 17.600 reais ou mais e só 6,3% dos entrevistados afirmavam ter até R$ 1.760 reais mensais, 9,4% dos entrevistados preferiram não revelar.


Levando em consideração apenas o público frequentador da Arena Corinthians, a ideia foi muito bem pensada e planejada pela diretoria de marketing do clube alvinegro. Agregará ao ambiente e ainda mais na estética do estádio, além de abrir um leque de opções para eventos diferenciados e outros esportes que queiram ter uma experiência mais próxima com o público brasileiro, como o Futebol Americano, por exemplo.


A Arena Corinthians se tornará o primeiro estádio de futebol do Brasil e segundo do mundo a ter um camarote com piscina para seus espectadores. Quem inovou e tem tido sucesso desde então foi o Jacksonville Jaguars, time de futebol americano da Flórida. Para desfrutar dos camarotes equipados com piscina em um jogo da NFL, o torcedor tem de desembolsar quase R$1.000 reais (em valor convertido para nossa moeda) no ticket mais barato, além das duas piscinas o estádio conta com outras áreas de lazer e bares. A ideia foi do proprietário do time Shahid Khan, que também é dono do Fulham da Inglaterra, e visava atrair o público que lentamente ia diminuindo nas arquibancadas, o time é um dos menos expressivos da liga se tornou um dos mais falados do mundo. Nos Estados Unidos, ao menos três times de Beisebol também contam com piscinas nas dependências de seus estádios.


A ideia inicialmente parece completamente deslocada quando a gente pensa no futebol. Costumamos imaginar o esporte como o que era antigamente, arquibancadas de cimento, capacidade completamente lotada, preconceito com as numeradas e todo mundo de pé, debaixo do sol ou da chuva cantando para o seu time em campo. Mas o futebol tem se modernizado, os estádios estão dando lugar às arenas, os alambrados viraram barreiras de vidro e o cimento está dando vez às cadeiras. Levando em consideração as mudanças pelas quais o esporte vem passando, a ideia cabe dentro do contexto.


As vendas para o FielZone já começaram em um site próprio para a comercialização dos ingressos do camarote, será o pontapé inicial do projeto. No papel a ideia é promissora por conta da inovação e do público alvo. Na prática veremos algo novo, que dividiu e divide opiniões, tentando ganhar o entendimento e a adesão com algo pouco habitual às praças esportivas aqui no Brasil. Só o tempo dirá efetivamente se a ideia foi boa ou se foi má.