• Bruno Nunes

GERAL PODE VOLTAR AO MARACANÃ

O processo de elitização do futebol é visível, cada vez menos espaços populares são disponibilizados ao torcedor de baixa renda. As arquibancadas, outrora tão presentes nos principais estádios do país aos poucos foram sendo substituídas por setores numerados, o que encarece o custo dos ingressos.

Arquibancada do Maracanã nos anos 1970 / Foto: Reprodução

Indo na contramão da cidade de São Paulo, que privatizou o estádio do Pacaembu autorizando a demolição do Tobogã, setor popular que dará lugar a um edifício comercial, foi aprovado na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto que autoriza o retorno da Geral ao Maracanã. A decisão agora está nas mãos do Governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que poderá sancionar ou vetar a ação.


O texto de autoria dos deputados estaduais André Ceciliano(PT) e Zeidan Lula (PT), prevê a retirada das cadeiras do anel inferior do Maracanã, a volta da arquibancada resultaria em um aumento na capacidade do estádio e facilitaria o acesso ao público de menor renda devido ao menor custo e a maior oferta de ingressos.



A Geral do Maracanã era a mais democrática arquibancada do Brasil / Foto: Reprodução.

Desde a reforma para a Copa do Mundo de 2014 o Maracanã não conta com um setor popular, e isso vai contra toda a história do estádio que virou símbolo do futebol brasileiro justamente pelo fato de ser um espaço de lazer democrático, porém, desde sua última reforma, o custo para assistir uma partida de futebol ficou mais alto, o que resultou em um número menor de frequentadores. Caso o projeto seja aprovado pelo Governador Witzel será dado um passo importante para que o Maracanã reencontre sua história e reforce seus papel como palco principal do futebol brasileiro.


Indefinição de permissionário e falta de estudos sobre o impacto estrutural, no entanto, inviabilizam a conclusão da reforma antes de 2021, no mínimo, e isso pode ser um empecilho tendo em vista a quantidade de jogos que o Maracanã recebe. Seria difícil para Flamengo e Fluminense que são os administradores provisórios do estádio, arranjarem outro local para mandar seus jogos. São Januário e o Nilton Santos aparecem como opções porém as disputas políticas e a rivalidade extracampo atrapalham qualquer tipo de negociação.


Fato é que o primeiro passo para a volta da Geral ao Maraca já foi dado, deixando esperançosos torcedores que carecem de espaços de lazer acessíveis financeiramente. O futebol é especial justamente pelo apelo popular e pela inclusão que ele oferece, sem isso seria apenas mais um esporte.




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