Incontestável


FOTO: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

No dia cinco de agosto de 2018, Luiz Felipe Scolari, o Felipão, fazia sua reestreia como técnico da equipe do Palmeiras. Ali começava a terceira passagem do técnico a frente do time alviverde. A primeira passagem lhe rendeu o título da Libertadores da América e um lugar na memória do Palmeirense, a segunda passagem lhe rendeu uma Copa do Brasil e um rebaixamento, algo para se esquecer.


O gaúcho foi escolhido pela diretoria do Verdão depois da passagem apagada e apática de Roger Machado, que rendeu dúvidas e muitas contestações ao elenco alviverde e à diretoria. Naquela altura, o título da Libertadores, grande objetivo do time paulista em 2018, parecia somente um sonho distante, tamanha era a desordem do time em campo e fora dele também. Felipão também era contestado, não foi unânime entre diretores, torcedores e nem entre jornalistas. Parecia uma escolha fadada ao fracasso, o 7x1 tomado em 2014 ainda magoava.


No primeiro jogo com o treinador, um empate em 0x0 com o América MG, com direito a pênalti perdido, o torcedor não conseguiu se aquietar ou ter tranqüilidade com o continuidade do ano, os sonhos pareciam utopia. Mas o futebol tem dessas, é quase como uma roda gigante, nem sempre quem está por baixo permanece embaixo. Felipão subiu de novo.


Dudu, capitão da equipe, começou o ano tendo pedidos para que fosse embora, perdeu a braçadeira, foi vaiado, desconfiado, mas seguiu. Seguiu contestado, de cabeça baixa, calado, e foi, desde o retorno de Felipão, o jogador mais importante do elenco alviverde. Chamou a responsabilidade, retomou a confiança e, consequentemente, o carinho da torcida do Palmeiras.


O que dizer então de Deyverson? Contestado desde o início pelos altos valores que envolviam sua negociação, pelo baixo rendimento em campo, pelo comportamento e expulsões que muitas vezes quase custaram derrotas e eliminações para o time todo. Foi o novo técnico que lhe deu chance atrás de chance, acreditando que ele poderia ser importante para o conjunto, e foi.


O Palmeiras foi cercado por contestações, mas Felipão organizou tudo, blindou o elenco. Dudu realmente foi o capitão, pôs a bola no chão, destruiu e foi o melhor jogador do campeonato inteiro. Deyverson colocou a cabeça no lugar, marcou gols decisivos, inclusive o do título, aquele gol depois da metade do segundo tempo contra o Vasco, aquele gol que parecia que não viria, aquele gol que levou a torcida ao êxtase máximo do futebol. A Libertadores não veio, ainda, é verdade, mas de um ano repleto de contestações, o Palmeiras sairá com ao menos uma coisa incontestável; o título de Campeão Brasileiro.