• Andréa Lima

MENINAS DA VÁRZEA


Foto: Andressa Andrade


O futebol feminino tem crescido de forma considerável no país, sendo São Paulo o estado detentor de mais times e categorias. Isso não significa que as meninas não encontrem dificuldades a serem transpassadas durante suas trajetórias.


Conhecidas pela capacidade de desenvolver múltiplas funções, as mulheres demonstram raça e determinação dentro e fora de campo. Aguerridas, elas conclamam pela oportunidade de poder jogar bola e viver desse sonho. Muitas têm a jogadora Marta como o exemplo a ser seguido, a atleta foi eleita seis vezes a melhor do mundo, o feito é um recorde tanto para as mulheres como para os homens.


Em sua grande maioria, os times têm quase que 100% de suas origens nas periferias, esse fator pode ser atribuído pela falta de lazer gratuito nas comunidades, pelo incentivo a prática do esporte, ou pelo fato incontestável do futebol ser sim uma paixão nacional, ou até mesmo as três opções. O que não podemos desconsiderar é que essa verdade proporciona sonhos e exige sacrifícios.


Atualmente, no estado de São Paulo, existem diversos campeonatos femininos que englobam várias categorias, o que garante mais oportunidades as meninas que praticam o esporte. Em entrevista com as meninas do Itaqua Girls, time formado em março de 2018, na Zona Sul de São Paulo, as meninas afirmam participar de cinco campeonatos (1º Copa União; Liga AC; Campeonato Paulistano; Jogos da Cidade; Taça das Favelas) que englobam diversas categorias. De acordo com Andressa Andrade, o time surgiu a partir da vontade de três amigas em jogar bola, que logo após assistirem a um campeonato feminino, decidiram que também gostariam de ter um time, relatam ainda, que inicialmente não foram levadas a sério e que enfrentaram dificuldades internas e externas, mas que com muita dedicação e empenho, persistiram no sonho, driblaram os obstáculos e hoje colhem frutos do suor derramado dentro e fora de campo.


Conforme Andressa Andrade, o time da Zona Sul de São Paulo, conta hoje com trinta meninas e possui seis patrocinadores, mas assim como muitos outros times de várzea, as meninas do Itaqua Girls buscam patrocínios para que possam manter o time nos campeonatos, com materiais e ajuda de custo a alguma menina, caso seja necessário. Andressa relata ainda, que nenhuma atleta ou dirigente é remunerado, elas ofertam aos seus integrantes condições de treinamento e a oportunidade de viver o sonho, independentemente da idade.


Assim como as atletas do Itaqua, muitas outras batalham todos os dias os mesmos objetivos, mas o empenho, a dedicação e a perseverança são marca registrada nas meninas que buscam realizar o sonho da bola. E para elas sempre haverá um campo de futebol, seja ele de grama ou de terra, o importante é a bola não parar.

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