• Karoline Guimarães

O Batom Intacto da Maior Artilheira Mundial e a Luta pela Igualdade

FOTO: GETTY IMAGES

O jogo Brasil x Itália, realizado ontem (18) no Stade du Hainaut, garantiu a classificação da Seleção Brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo Feminina 2019 com um gol de pênalti marcado por Marta. Com 17 gols em Copas do Mundo, Marta tornou-se a maior artilheira do campeonato – entre homens e mulheres – ultrapassando Miroslav Klose, até então o maior goleador em Copas. Outro fato que chamou a atenção dos telespectadores, foi o batom escuro que a jogadora usava.


O batom em questão é o Power Stay da marca de cosméticos Avon. O patrocínio da Avon oferecido a Marta foi confirmado pelo empresário da atleta, que afirmou ser uma parceria entre a marca e a jogadora – o valor não foi divulgado.


No jogo passado, Brasil e Austrália, foi revelado que Marta entrou na Copa sem nenhum acordo de patrocínio, afirmando que valores oferecidos a ela por possíveis patrocinadores eram muito baixos, mesmo motivo pelo qual a jogadora recusou renovar seu contrato com a Puma. Em sua comemoração do gol contra a Austrália, Marta apontou para a chuteira e o que se viu, no lugar da marca de um patrocinador, foi o símbolo do movimento “Go Equal”, que representa a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres.


Em um levantamento da revista “France Football”, a discrepância de salários e investimentos entre futebol feminino e masculino ficam evidentes. Na lista publicada esse ano mostrou que a soma dos cinco maiores salários do futebol feminino – Ada Hegerberg, eleita a melhor do mundo em 2018, Amandine Henry, Wendie Renard, Carly Lloyd e Marta com a quinta colocação – totaliza € 1,79 milhões (R$ 7,7 milhões) no ano. Esse valor não chega a ser um décimo do salário do quinto jogador mais bem pago, Gareth Bale, que fatura € 40,2 milhões (algo como R$ 175 milhões)/ano.


A “justificativa” para este cenário deprimente de desigualdade é o fato de que o futebol feminino, enquanto produto, é bem menos rentável se comparado com o masculino, logo, não gera tanto dinheiro para ser investido nas jogadoras.


Em entrevista para O Globo, o doutor em Gestão de Esporte, Marco Aurélio de Sá Ribeiro afirma que o futebol feminino é “estrangulado na distribuição”: não tem cobertura televisiva, não tem as partidas divulgadas e enfrenta dificuldade na formação de ídolos.


O também professor de Marketing da ESPM sugeriu uma espécie de cota como uma alternativa para combater a desigualdade e dar visibilidade ao futebol feminino, resultando em mais interesse do público e anunciantes.


“É uma solução bem simples (a cota), que já foi usada em outras esferas da vida pública. Vamos experimentar colocar a cada três quartas-feiras, por exemplo, uma exibição de futebol feminino na televisão para ver se o cenário já não muda completamente — propôs o especialista. — Se não tomarmos iniciativas para quebrar esse ciclo, nada vai mudar, e as jogadoras continuarão. ganhando menos só porque são mulheres. Essa mudança não vai acontecer naturalmente, por ‘forças mercadológicas’. Não dá para ficar sentado esperando”.

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