O GIGANTE CÁSSIO


FOTO: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
FOTO: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

No dia 2 de fevereiro de 2012 foi apresentado aquele que seria, inicialmente, o terceiro goleiro do time do Corinthians. Cássio tinha acerto com o clube desde dezembro da temporada anterior, na qual o Timão foi campeão Brasileiro pela quinta vez. Mas quem era Cássio?


O Gaúcho saiu do Brasil aos 20 anos, após fazer poucas partidas pelo Grêmio, seu time de origem, com destino à Holanda. Aos 24 anos acertava a sua volta, apenas para compor elenco, tendo jogado poucas vezes como profissional em sua carreira. Quase que de imediato, a negociação virou piada entre jornalistas e torcedores rivais. Ninguém sabia, nem imaginava, o tamanho do goleiro recém chegado.


A estreia de Cássio aconteceu no dia 28 de março, quando o Corinthians, com time reserva, enfrentou o time do XV de Piracicaba pelo Campeonato Paulista. O Corinthians venceu pelo placar mínimo e o goleiro já mostrou a que veio ao fazer uma defesa “à queima” roupa em cima da linha do gol. Foi o primeiro jogo dos 396 disputados até hoje com o manto alvinegro.


Foi em 2012, um ano tão especial para a Fiel, que Cássio fez a sua defesa mais famosa até aqui, naquele Corinthians x Vasco válido pelas quartas de final da Libertadores. O jogo estava empatado em 0x0, o Timão com o time totalmente avançado e no campo de ataque, até que Alessandro teve um lançamento interceptado por Diego Souza. O atacante vascaíno deu a sorte da bola bater nele e se adiantar livre para ele mesmo ficar mano a mano com Cássio. Os segundos pareceram intermináveis, o gol parecia certo, mas lá estava ele, o Gigante, para impedir. O lado escolhido por Diego foi o esquerdo, com a ponta dos dedos Cássio defendeu e fez o estádio comemorar uma defesa com o mesmo ímpeto de um gol.


Também em 2012, o goleiro conquistou o mundo, com a importância semelhante a de um outro craque do gol que também alcançou o topo do mundo com o Corinthians. É certo que Cássio não precisou defender pênaltis contra o Chelsea, assim como Dida teve contra o Vasco, mas trabalhou tanto quanto. Dentre os muitos lances de perigo construídos pelo time inglês, um chute de Moses e uma defesa de um chute de Fernando Torres dentro da pequena área, se destacam. Resultado, Cássio foi eleito o melhor jogador daquela edição do Mundial de Clubes da Fifa.


De lá para cá o Corinthians conquistou mais seis títulos com Cássio como arqueiro; três Campeonatos Paulistas (2013, 2017 e 2018), dois Campeonatos Brasileiros (2015 e 2017) e uma Recopa Sul-Americana (2013). Todos eles com alguma participação importante do goleiro, merecidamente levantou algumas dessas taças como capitão.


Além das conquistas em grupo, houve também as pessoais. De lá para cá o goleiro acumulou 16 defesas de pênalti, foi convocado algumas vezes para a Seleção Brasileira e participou pela primeira vez de uma Copa do Mundo. Pena que o hexa não veio, pena…


Cássio é o segundo goleiro que mais esteve em campo com a camisa corinthiana, dividiu o lugar com Gilmar até o último jogo do Corinthians contra o São Bento, agora está atrás apenas de Ronaldo Giovanelli, que passou dos seiscentos jogos defendendo o time do Parque São Jorge. Quando o assunto trata de quem foi o maior dentre eles, a torcida consegue complicar um pouco mais colocando Dida no páreo. Na internet, Cássio é o favorito, mas isso pode ser pelo fato de muitos não terem visto ou não se recordarem dos outros.


Apesar da disputa, se pararmos para analisar com atenção, Cássio consegue ser um pouco dos outros três goleiros. Ele tem a frieza de Dida, principalmente nas tomadas de decisão, taí as defesas de pênaltis que não me deixam mentir, taí o Diego Souza que pode confirmar. Ele tem o talento de Gilmar, não é raro vê-lo operando milagres. E por último, mas não menos importante, tem o Corinthianismo de Ronaldo. Cássio é um dos únicos que entendem e sentem o peso da camisa do Corinthians, sempre cobra os outros para que se entreguem totalmente nos jogos, independente da importância da partida ou do campeonato disputado. Ele entende o que é ser, estar e viver do Corinthians, aparenta sentir praticamente a mesma coisa que o torcedor.


Porém a vida é feita de altos e baixos, alguns momentos foram incertos nessa caminhada. Erros também foram cometidos, ninguém é perfeito. Mas é como os Corinthianos falam, todas as vezes nas quais o goleiro erra, “o Cássio tem crédito”. Crédito de sobra eu diria, o torcedor alvinegro como nenhum outro sabe valorizar a raça e o desempenho de seus jogadores. O goleiro foi importante nos títulos, mas também foi importante nas crises. Não há quem não tenha honrado o manto alvinegro neste nível que não tivesse conseguido o amor e o afeto da Fiel.


Se Cássio é ou não é o maior e melhor goleiro que já defendeu o Corinthians, não dá para confirmar. Talvez só possamos definir isso depois de sua aposentadoria, talvez só aí conseguiremos dimensionar o que foi e o que fez o goleiro Cássio enquanto esteve no Alvinegro Paulista. Certo é que, em um século no qual tanta coisa aconteceu, tantas lágrimas de tristeza e felicidade rolaram pelos rostos Corinthianos, ele surgiu como uma incógnita. Certo é que em um século no qual Tevez, Ronaldo Fenômeno e tantos outros jogadores marcantes defenderam o Corinthians, ele conseguiu se firmar e consolidar seu nome na história do Time do Povo. Certo é que, aquele jogador tímido e quase desconhecido, motivo das piadas e risos, se tornou até aqui o maior e mais importante jogador do Corinthians no século 21, de forma incontestável.