• Leonardo Cruz

O HEPTACAMPEONATO BRASILEIRO NO PERÍODO DE 27 ANOS


Foto: CBF Divulgação

Durante muitos anos, a torcida do Corinthians sofreu por não conseguir conquistar o título do Campeonato Brasileiro. Torneio este que se iniciou em 1959 e teve o Bahia como primeiro campeão.


Para piorar a situação, neste período os maiores rivais do Corinthians por mais de uma vez conseguiram conquistar seus títulos brasileiros, o que aumentava em escala exponencial a pressão exercida sobre os jogadores que passaram pelo Timão ao longo destes anos.


O ano em que o Corinthians mais se aproximou foi 1976, o alvinegro foi finalista, sendo derrotado pelo Internacional. Inclusive, na semifinal aconteceu a famosa “Invasão Corinthiana” no Maracanã contra o Fluminense, marco este que é lembrado pela fiel torcida até os dias atuais.


Finalmente chegou o ano de 1990, o Corinthians liderado por Neto e Ronaldo fez uma campanha regular durante as duas primeiras fases do torneio. Nas quartas de finais e semifinais, confrontos eletrizantes contra Atlético-MG e Bahia respectivamente, credenciaram o Timão a disputar sua segunda final de Campeonato Brasileiro de sua história contra o São Paulo.


Mesmo não sendo favorito, o Corinthians venceu as duas partidas contra o rival pelo placar de 1x0. Na partida decisiva, no dia 16/12, Tupãzinho foi o responsável por tirar o grito de gol da garganta da torcida que aguardava há anos para comemorar o tão esperado título de campeão brasileiro.



Foto: Reprodução

Oito anos depois, com um time recheado de grandes jogadores e treinado por Vanderlei Luxemburgo, um dos melhores técnicos da época, o Corinthians confirmou o favoritismo e garantiu o bicampeonato nacional.


Em uma fase inicial extremamente disputada, o Corinthians terminou na liderança deixando o arquirrival Palmeiras para trás. A partir da fase quartas de final, o grande desafio era o novo formato, com a eliminatória podendo ser disputada em até três jogos. O Grêmio foi o primeiro adversário, mesmo depois do Timão vencer em Porto Alegre, permitiu que os gaúchos dessem o troco na segunda partida, obrigando o alvinegro a vencer o terceiro jogo e assim, garantir classificação para a próxima fase.


Nas semifinais, o Santos também obrigou o Corinthians a fazer as três partidas da eliminatória, isso porque no primeiro jogo, ocorrido na Vila Belmiro, o Peixe fez valer o fator “casa” venceu o Timão por 2x1. No jogo do Pacaembu, o time de Luxemburgo deu o troco no Santos e venceu por 2x0, obrigando assim ter a terceira partida. Em um jogo extremamente disputado e nervoso, o empate por 1x1 garantiu ao Corinthians a vaga para disputar a decisão contra o Cruzeiro.


Pela primeira vez na história do Brasileirão, as finais foram disputadas em três partidas. No jogo realizado em um Mineirão lotado, o Cruzeiro, liderado por Müller chegou a fazer 2x0, mas a entrada de Dinei mudou completamente o panorama da partida, o Corinthians empatou o jogo levando boa vantagem para São Paulo.


Em um segundo jogo extremamente nervoso, outro empate, desta vez por 1x1, levou Corinthians e Cruzeiro a terem que disputar a partida de desempate que também foi realizada na capital paulista. Na grande decisão, Dinei novamente foi decisivo, com duas assistências, uma para Edílson e outra para Marcelinho Carioca proporcionando ao Timão a conquista do bicampeonato brasileiro.



Foto: Alexandre Battibugli / Revista Placar

Empolgado pela conquista do segundo título nacional, o Corinthians iniciou o Brasileirão de 99 arrasador, com sete vitórias seguidas no ínício do torneio, o Timão arrancou para liderar a primeira fase do campeonato com certa tranquilidade. Na fase final, o regulamento previa o mesmo sistema de disputa do ano anterior. O alvinegro teve como adversário nas quartas de final o Guarani, surpreendentemente, o Bugre dificultou ao máximo nas três partidas, mas no final da eliminatória, o Corinthians se garantiu em mais uma semifinal.


Se em 1998 o adversário das semis foi o Santos, em 99 foi a vez do São Paulo de Raí, mas diferente dos outros playoffs, foram necessárias apenas duas partidas para definir o finalista. Com duas vitórias pelos placares de 3x2 e 2x1, com direito ao goleiro Dida se consagrar ao defender dois pênaltis cobrados pelo camisa 10 Tricolor no primeiro jogo, o Corinthians se qualificou para disputar novamente a final do Brasileirão.


Uma final em preto e branco, assim Corinthians e Atlético-MG iniciaram no Mineirão a disputa de mais uma decisão para ver quem ficaria com a desejada taça. Empurrados pela torcida, o Galo não deu chances ao Timão e venceu pelo placar de 3x2. Nova vitória dos mineiros no segundo jogo seria suficiente para a taça ir para BH, mas o forte Corinthians se impôs no Morumbi e com dois gols de Luizão, os paulistas venceram por 2x0 forçando assim, a disputa do terceiro jogo.


Em uma quarta-feira à noite, e sem o artilheiro Luizão, que estava suspenso, o Corinthians não foi brilhante, mas fez um jogo seguro e cauteloso, não permitindo qualquer possibilidade ao Atlético-MG e com um simples 0x0, garantiu o tricampeonato brasileiro.


Alguns anos se passaram e a fórmula do Brasileirão também se modificou, a disputa do principal campeonato nacional já era no formato em que temos atualmente, o justíssimo “pontos corridos”. Independente do regulamento, o Corinthians a cada ano ratificava sua força como um dos principais times do país.


Em 2005, o time conhecido como “Galáticos”, liderado pelo polêmico Carlitos Tevez viveu momentos de extrema instabilidade, troca de treinadores, vitória épicas e derrotas muito doloridas. Ao final de uma dura disputa com o Internacional e após 42 rodadas, o Corinthians se sagrou tetracampeão nacional, marcando seu nome na seleta lista de equipes que conquistaram o torneio nesta nova fórmula de disputa.



Foto: Reprodução

Seis anos após o tetra, Tite comandou a equipe que traria o penta para o Parque São Jorge, mas como nem toda história pode ser escrita somente com momentos de felicidade, o início deste ano de 2011 foi extremamente conturbado no Corinthians. Após a eliminação da Pré-Libertadores para o Tolima-COL, muitas coisas mudaram no Timão, desde a aposentadoria do Craque Ronaldo até a saída de jogadores como Roberto Carlos e Jucilei. Tite permaneceu e, uma grande reformulação foi realizada no elenco, com o Brasileirão em andamento, o time foi se entrosando e se fortalecendo em busca do troféu.


Ao longo das 38 rodadas, o Vasco da Gama se tornou o maior concorrente do Corinthians no campeonato, mesmo com um bom início, o alvinegro paulista chegou a perder a liderança para os cariocas e viu sua conquista ser ameaçada por diversas vezes. Como torcer para o Corinthians é sempre estar pronto para viver muitas emoções, o Brasileirão só foi decidido na última rodada, e como um golpe do destino, o penta veio no dia em que o eterno ídolo Sócrates veio a falecer, deixando o estádio do Pacaembu com uma sensação de profunda dor em meio a felicidade da conquista.



Foto: Reprodução

No ano de 2015, Tite retornou após ficar afastado por uma temporada do comando técnico do Corinthians. Com um início de temporada irregular com eliminações na Libertadores e Campeonato Paulista, o Timão demorou um pouco para entrosar a equipe no Brasileirão, mas aos poucos, um dos maiores treinadores da história do clube conseguiu implantar seu estilo de trabalho, levando o Timão a vencer uma intensa disputa contra o Atlético-MG em busca da taça.


Durante praticamente todo o primeiro turno, o Corinthians foi coadjuvante de um Galo irresistível, mas antes da metade do campeonato, assumiu a liderança e com atuações convincentes, não deu chances aos rivais, inclusive goleando o Atlético-MG dentro do estádio Independência, em uma das partidas mais esperadas da competição. No final, o alvinegro paulista se sagrou hexacampeão após empatar com o Vasco no Rio de Janeiro pelo placar de 1x1. Detalhe interessante, é que no jogo seguinte, os campeões receberam em Itaquera o rival São Paulo e, de forma inesperada, Tite escalou a equipe praticamente reserva, time este que massacrou o adversário com um histórico 6x1.


O ano de 2017 foi de reestruturação, com a chegada de novos jogadores e com o comando do até então auxiliar técnico Fábio Carille. Mesmo com muitas dificuldades, o Corinthians surpreendeu e foi campeão paulista, mas o grande desafio seria o Brasileirão e o time não decepcionou, liderados por Jádson, Rodriguinho e o artilheiro Jô, o Timão fez a melhor campanha da história do primeiro turno na era dos vinte clubes, com 14 vitórias e 5 empates. Neste período, o Corinthians praticou um futebol muito seguro, sofrendo poucos gols e taticamente praticamente perfeito.


No segundo turno, o ritmo caiu, os resultados já não eram mais os mesmos e a dúvida se os comandados de Fábio Carille conseguiriam conquistar a taça era algo que passava na cabeça de todos os torcedores. A reviravolta veio no clássico contra o Palmeiras, jogando muito bem, e com atitude de campeão, o Corinthians venceu por 3x2 e arrancou de vez para a conquista do heptacampeonato brasileiro, o quarto título na história dos pontos corridos, marca que nenhuma outra equipe ainda conseguiu alcançar.



Mesmo não tendo uma campanha satisfatória na última edição do Brasileirão, o Corinthians que vemos atualmente é completamente diferente daquele que passou anos em busca do seu primeiro título brasileiro. Hoje, figura no grupo dos maiores campeões nacionais de todos os tempos e mesmo passando por momentos difíceis em algumas temporadas, há sempre a esperança de que no ano posterior poderá sim, disputar com seus maiores rivais a glória de poder erguer a taça do principal campeonato nacional do Brasil.