• Guilherme Morais

O IMEDIATISMO MOVE O FUTEBOL BRASILEIRO



Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, é um dos poucos que sobrevivem nessa cultura imediatista. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

2019. Século 21. E o futebol brasileiro ainda sofre com o imediatismo nos resultados que se relaciona com o emprego de cada treinador, que vai mexer com a evolução de cada equipe nos campeonatos, ligando a política do clube e por último, mas não menos importante, a paixão do torcedor.


Vamos pensar um pouco. Qual o treinador que está há mais tempo dentro de uma mesma equipe? Renato Gaúcho? Mano Menezes? Essa lista “gigantesca” não pode ser apenas com esses nomes. A história do futebol brasileiro é rica demais pra ficar sendo sustentada pelo imediatismo, muitos treinadores do mundo se espelham no Brasil para montar a sua ideologia no futebol. E por que não conseguimos fazer um trabalho a longo prazo?


Tudo começa lá em cima, pela Confederação Brasileira de Futebol, onde a cada fracasso em Copa é trocado uma comissão técnica inteira, sem ao menos se planejar para conseguir um melhor resultado na próxima competição, com o mesmo treinador. Se o maior espelho não consegue ter essa segurança, como os que estão abaixo vão fazer? Essa cultura fica presa na mentalidade dos diretores, que não conseguem evoluir diante desse problema.


A ideia de trabalhar a longo prazo dá a possibilidade de grandes conquistas, evolução técnica e tática, crescimento financeiro, desenvolvimento como empresa. Um técnico com suporte para seguir seu trabalho, tem mais chances de conquistar algo. Acreditar em um projeto a longo prazo é buscar o sucesso de forma mais assertiva.


Porém, enquanto os clubes aceitarem essa “imposição” de sempre trocar técnico com algumas derrotas, futebol que não conquista nenhum título, o futebol brasileiro vai continuar sendo motivo de piada nos torneios de seleções. O medo de sofrer ameaças, retaliação, de ter uma relação abalada com empresários, movem esse esporte.


Hoje, não estamos perto disso acabar, pelo contrário. Seu time ainda vai trocar muito de técnico, de comissão técnica, e vamos estagnar ainda mais no cenário mundial. O futebol é refém de quem o domina, ou já dominou.