• Letícia Rodrigues

O QUE HÁ POR TRÁS DOS UNIFORMES?




Fonte: Arquivo Pessoal

Quando pensamos no estigma do brasileiro, logo vem o futebol, o samba e tudo aquilo que já nos é lugar comum. O futebol surgiu na minha vida para aliviar minhas dores, e com o tempo fui amando mais e mais até que virei o que sou hoje. O futsal é minha origem, meu pai era goleiro, sempre contou histórias e na escola me arriscava jogando entre os meninos de pivô por pura vontade de me sentir parte de algo.


O esporte faz isso conosco, nos faz parte, próximos mesmo nunca tendo nos visto, seja na torcida ou dentro das quatro linhas. Nos últimos tempos, desde o episódio da Chapecoense para ser mais exata, comecei a ver tanto o futebol quanto o futsal de uma maneira mais próxima. As tragédias escancaram a fragilidade de pessoas que são criadas para serem os heróis possíveis; pena que quando elas ganham tempo, isso se perde.


Os jogadores precisam ser desconstruídos, eles existem fora do espetáculo. Não só eles, como todos os envolvidos para que o nosso momento de lazer exista. Tragédias como a dos últimos dias, em que perdemos um jogador com o futuro brilhante, como era o Douglas Nunes,tem que existir para que algo mude, os calendários são desumanos, às confederações frias e mercenárias. E enquanto o pensamento do próprio torcedor for única e exclusivamente o espetáculo, nada irá mudar.


O que existe além dos uniformes?


Pais e mães, esposas e maridos, namorados e namoradas, tios e tias, e principalmente, sonhos, deles e nossos, quando um gol acontece, muito precisou ser deixado de lado até aquele momento. Igualzinho quando você, torcedor, muda a sua rotina, falta no aniversário daquele ente querido, e por aí vai. Estar dos dois lados da moeda é necessário. O herói também precisa de respeito.