• Phelipe Vieira

O roxo e dourado renascerá



Cronômetro zerado. O placar no Staples Center marcava “Lakers 82 x 103 Spurs”. Já se vão cinco temporadas desde aquele fatídico 28 de abril de 2013. Mesmo com o elenco repleto de estrelas (em quadra e no departamento médico), a equipe californiana foi varrida pela equipe do Texas na primeira rodada dos playoffs. E foi a última vez que a franquia mais tradicional de Los Angeles figurou por lá.


A expectativa era enorme no início da temporada 2012/13. Steve Nash e Dwight Howard se juntaram a Kobe Bryant e Pau Gasol para formar um supertime e se credenciaram como um dos favoritos ao título da NBA, mas lesões e as conhecidas desavenças entre estrelas atrapalharam o sucesso.


De lá para cá, Dwight Howard e Pau Gasol se transferiram, Steve Nash e Kobe Bryant conviveram com as contusões até o fim de suas carreiras, e o Lakers acumulou insucessos, culminando nas duas piores campanhas de sua história: 21 vitórias, em 82 partidas na temporada 2014/15, e apenas 17 triunfos na mesma quantidade de jogos em 2015/16.


Mesmo com um fim de temporada deprimente, os torcedores viam uma luz no fim do túnel - já que, com a aposentadoria de Kobe, os cofres da franquia estariam cheios para trazer “all-stars” à L.A. Kevin Durant e Paul George tiveram propostas, mas escolheram jogar por franquias com jogadores mais talentosos, visando a conquista de um anel. Jogar pelo Lakers já não era tão sedutor como outrora.


Sem sucesso na contratação de estrelas, o Lakers tentou outro caminho. Em fevereiro de 2017, reformou grande parte do seu corpo diretivo e anunciou o pentacampeão da NBA e ídolo da franquia, Magic Johnson, como presidente de operações.


Parece pouco, mas com a mudança, o Lakers não ganhou apenas um administrador que conhece do assunto, recuperou também um pouco do respeito que havia perdido após derrotas marcantes e consecutivos recordes negativos.


No início da temporada 2017/18, o Lakers selecionou o promissor armador Lonzo Ball na segunda escolha do Draft. No primeiro teste, na Las Vegas Summer League: Lakers campeão e Lonzo MVP. Após o título, Magic anunciou: “Os Lakers estão de volta”. Mas ainda não era a hora. Bom, talvez se o jovem já jogasse o que o falador e pai LaVar Ball acha que ele joga, os torcedores teriam muito mais motivos para comemorar.


Na temporada regular houve uma melhora, mas ainda um modesto 11º lugar na Conferência Oeste. Para a temporada 2018/19, o Lakers precisa dar peso ao time e ser mais agressivo e atuante no mercado de agentes livres. E como ser mais agressivo do que focar no jogador mais dominante da Liga?


Quando Lebron James recusou a renovação automática com o Cleveland Cavaliers, Philadelphia, San Antonio, Houston e, claro, Los Angeles surgiam como prováveis destinos para o camisa 23. Foi quando Magic Johnson entrou em ação. Você pode ser quem for, poderia ser Jordan que, ao ver um dos maiores jogadores da história da liga na sua porta, você ao menos tem que ouvi-lo.


No momento em que se tornou agente livre, Magic Johnson estava na porta de Lebron James para oferecer um contrato de US$ 154 milhões para vestir roxo e dourado pelas próximas quatro temporadas ao ala de 33 anos. Em busca de mais títulos e do desafio de reerguer uma das franquias mais vitoriosas do esporte norte-americano, o “King” disse sim.


Mas um rei não conquista nada sozinho, como já descobrimos na última temporada. Então o Lakers seguiu firme nos primeiros dias de mercado, e contratou também Lance Stephenson e Rajon Rondo. Ainda pouco comparado ao atual bicampeão da NBA Golden State Warriors, que não só manteve sua constelação, mas também trouxe a estrela para posição que faltava com a contratação de DeMarcus Cousins.


Talvez se o desejo de Kawhi Leonard de ser um Laker se concretizar na próxima temporada, surgirá um time para fazer frente a franquia de Oakland. Mas, de qualquer forma, o que podemos perceber é a mudança de postura da equipe. O Lakers volta a pensar grande e isso promete render frutos a longo prazo. Depois de cinco temporadas sendo coadjuvante, uma das principais franquias da NBA está pronta para retomar seu lugar por direito. O roxo e dourado será protagonista novamente!