• Bruno Cardoso

OS SALÁRIOS PAGOS PARA O FUTEBOL FEMININO SÃO JUSTOS?

Seis vezes melhor do mundo, Marta tem apenas o quinto maior salário entre as mulheres, que não chega nem perto do astronômico salário de Neymar


Foto Ilustração: Mario Alberto - Globo Esporte

Nos primeiros três meses do ano é possível afirmar que o futebol feminino cresceu algo equivalente aos últimos cinco anos da modalidade. Os recordes nas arquibancadas atraindo público, os patrocinadores chegando, as competições ganhando premiações mais altas, são apenas alguns dos indícios que apontam a força que a modalidade vem ganhando.


O futebol é o esporte mais popular do mundo, atletas são celebridades e valem milhões. Por ser uma modalidade centenária na categoria masculina, hoje os salários atingem valores astronômicos, coisa que era impossível de imaginar alguns anos atrás. Atualmente, jogadores medianos conseguem contratos que surpreendem a todos graças a ótimos empresários. Acredito que poderíamos fazer até um texto sobre os jogadores horríveis que foram contratados através de DVD’s por grandes clubes, mas isso é outro assunto que não quero tocar nesse texto.


Quando falamos de futebol feminino, acredito que seja impossível não pensar na melhor jogadora de todos os tempos, a rainha Marta. A atleta de 33 anos faturou em 2018 a sua sexta bola de ouro, aumentando ainda mais a soberania como maior jogadora de todos os tempos. Talvez muito do que a modalidade vive hoje seja graças aos dribles, aos gols, e a perseverança dessa mulher.


Em grande destaque esse ano, a Copa do Mundo de Futebol Feminino chegará no dia 7 de junho para coroar um semestre que tem sido espetacular. A expectativa ultrapassa as quatro linhas, chegando para a torcida que nunca esteve tão envolvida com as mulheres no futebol, prova disso são os recordes de público sendo quebrados. Grandes patrocinadores como a Nike, Visa, e a Rede Globo - que pela primeira vez na história transmitira a Copa Feminina - aumentam ainda mais a visibilidade do esporte.


Com o público se aproximando, os patrocinadores sendo atraídos, levantamos uma grande questão: Os salários são justos para as mulheres? Em um levantamento feito recentemente, e que gerou certo espanto para os amantes do futebol, a revista France Football divulgou uma lista onde a atacante Marta, do Orlando Pride – que citei acima como a maior de todos os tempos – ganha um salário de R$ 1,45 milhão por ano, sendo apenas a quinta jogadora mais bem paga do mundo. Ficando atrás de Ada Hegerberg, do Lyon que recebe R$1,73 milhões por ano, assim como mais duas companheiras de equipe que tem o salário superior ao da Rainha do Futebol, que são: Amandine Henry, com R$1,58 milhões anuais e Wendie Renard, que ganha R$1,51 milhões. Fechando a lista, em quarto lugar fica a Carli Lloyd, do Blue Sky, ganhando 1,51 milhões.


Os cinco maiores salários do futebol feminino somam algo em torno de R$ 7,7 milhões, um valor que seria simbólico comparado aos R$397,1 milhões que recebe Neymar Jr., segundo a revista francesa, que no futebol masculino ainda leva em conta os bônus e outros rendimentos. Em termos de comparação com parâmetros iguais, levando em conta apenas o salário, o camisa 10 da seleção masculina e do PSG tem R$ 212,2 milhões anuais, o que dá quase 27 vezes a mais do que as cinco mulheres mais bem pagas no futebol feminino.


Precisamos levar em conta também que o futebol feminino é bem mais novo que o masculino, as mulheres demoraram para conseguir espaço nessa área, principalmente na profissionalização como atleta, o que interfere na valorização, mas acredito que estamos quebrando isso, principalmente esse ano.


Existe uma grande diferença salarial em quase todas as áreas profissionais, e a busca por igualdade das mulheres, em um mundo que é extremamente machista em geral, o futebol acabando sendo só mais uma profissão que reflete essa desigualdade.


Mas quem sabe com a ascensão, os patrocínios, e a visibilidade em pouco tempo não possamos superar essa diferença que é gigantesca, e dar a oportunidade para que assim como os homens, as mulheres possam fazer o seu “pé de meia” e conseguir o conforto de suas famílias e até futuras gerações.