• Rayne Oliveira

PORQUE É MULHER


FOTO: Lucas Figueiredo/CBF

Até onde o medo ver mulheres ocupando espaços, até então considerados somente para homens, assusta ao ponto do impedimento ir muito além dos gramados?


No último domingo (29), Tatiele Silveira foi a primeira técnica mulher a ser campeã do Brasileirão feminino A1, após o Ferroviária derrotar o Corinthians nos pênaltis, no Parque São Jorge, consagrando as Guerreiras como bicampeãs.


Este fato me fez lembrar de duas situações, as demissões de Tatiele e Emily Lima, no final do ano passado, tendo como justificativa a falta de resultados, e o decreto assinado por Getúlio Vargas, durante a Ditadura do Estado Novo, em 1941, onde proibia mulheres de praticar e se profissionalizar na modalidade, tendo como argumento de que tal prática estaria ferindo a chamada “natureza feminina”.


Tatiele chegou ao Internacional em março de 2017, logo após passagem como auxiliar da Seleção Brasileira Feminina na Copa do Mundo sub-17 em 2016.


Emily Lima foi a primeira mulher a ocupar o cargo de treinadora na Seleção Brasileira Feminina, sendo demitida após dez meses de trabalho.


As duas situações, tanto de Tatiele, quanto a de Emily, tem em comum as justificativas dos clubes e entidades, a falta de resultado. Vale a pena lembrar que a técnica gaúcha é a única mulher no sul do país, licenciada pelos cursos da CBF, porém isto não foi o suficiente, pois foi substituída por Maurício Salgado.


O mesmo aconteceu com Emily, neste ano, que após eliminação no Campeonato Brasileiro pediu demissão do time feminino do Santos. A treinadora exigia melhores condições de trabalho e a Diretoria não gostou nem um pouco de ser cobrada, após três dias, o Santos se pronunciou através de seu site oficial e declarou Guilherme Giudice como novo substituto até o final da temporada.


É fato que a cultura imediatista é algo presente no futebol brasileiro, mas em casos como de Tatiele Silveira e Emily Lima, é preciso questionar este tipo de argumentação.


*Os números de Tatiele no Internacional*


2017- 11 vitórias e uma derrota. 40 gols marcados e 4 sofridos no Campeonato Gaúcho Feminino.


2018- 23 vitórias, quatro empates e uma derrota. 130 gols marcados (19 na Taça Encantado, 28 no Brasileiro A2 e 83 no Gaúcho). 8 gols sofridos ( sete no Brasileirão A2 e um no Gaúcho).


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