• Luís Santana

Quão atrativo pode ser uma dinastia?


Foto: Gregory Shamus/Getty Images


Caminhamos para mais uma temporada de total soberania do Golden State Warriors na NBA, como vimos nas últimas duas temporadas. Sendo o último ano da franquia mandando jogos dentro da Oracle Arena em Oakland, o time tentará fechar esse “ciclo” com chave de ouro. Sendo assim, Stephen Curry e companhia vêm com tudo em busca do terceiro título consecutivo.

Não é novidade para ninguém que o Golden State Warriors é o melhor time da NBA nos dias atuais, mesmo com uma sequência de altos e baixos, vivemos uma dinastia de um time que mudou o jeito de se jogar o basquete, um time que apesar de muitas estrelas, joga de maneira coletiva, espaçada, com bastante movimentações ofensivas sempre encontrando a melhor opção de arremesso e principalmente, com um bom aproveitamento nas bolas de três pontos.

Dinastia essa, que tem como base jogadores que vieram através de draft. Do quinteto titular, os quatro nomes fixos nessa starting lineup (Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant e Draymond Green), apenas Kevin Durant não veio através de uma escolha de draft. Inclusive, a decisão de trocar de time do Durant, foi uma escolha que além de polêmica, desequilibrou de vez a liga. O camisa 35 decidiu, na época, se juntar a um time que quebrou o recorde da liga em números de vitórias na temporada regular, foram incríveis 73 vitórias em 82 jogos, uma vitória a mais do que o Chicago Bulls de 1997, de Michael Jordan. Isso gerou uma repercussão muito negativa para o Durant, afinal, o segundo melhor jogador da liga se juntar ao time de melhor campanha na temporada regular, que de quebra, eliminou o OKC do próprio Kevin Durant nos playoffs. Foi literalmente um “se não pode com eles, junte-se a eles! ”, logo, foi chamado de covarde pela grande maioria da imprensa americana.

Mas se por um lado existem muitas pessoas incomodadas com esse desequilíbrio que o Durant causou, pelo outro, a torcida do Warriors é só alegria. Até porque, desde a chegada do ala, o time não perder nenhuma sequer série de playoffs. Nos playoffs da temporada de 2016/2017, o time perdeu apenas um jogo, já nas finais que tivera o mesmo Kevin Durant como MVP. Na temporada seguinte, o time já não foi tão perfeito assim em sua conferência, e mesmo assim, o Warriors venceu as duas primeiras séries, contra o Spurs e o Pelicans por 4-1.

Foram boas vitórias, de fato. Mas o curioso é que os times mesmo sendo muito inferiores, conseguiram uma vitória contra o soberano time de Oakland, os times pareciam entender mais o jogo do Warriors, até que chegou o Houston Rockets, o time de melhor campanha na fase regular da liga, time que era comandado pelo Chris Paul e James Harden. O time que fez os “Splash Brothers” saírem derrotados dentro de casa pela primeira vez em um jogo de playoffs desde a chegada do Durant. Finalmente víamos um time com chances reais de eliminar o Warriors. Mas mesmo depois de abrir 3-2 na série, Rockets perdeu Chris Paul por causa de uma lesão, o que era difícil, se tornou praticamente impossível e o time do Golden State virou a série e chegou pela quarta vez consecutiva nas finais. E novamente, também pela quarta vez consecutiva, quem os esperava nas finais era o Cleveland Cavaliers, de LeBron James. No entanto, o Warriors não tomou conhecimento do Cavs, fez um raro 4-0 nas finais e outra vez vimos o time da Califórnia campeão e mais uma vez com Kevin Durant como MVP das finais.

Nada me convence que algum time realmente possa bater esse Golden State Warriors numa série de 7 jogos. Ainda mais depois da chegada de Demarcus Cousins, mais uma polêmica aquisição da franquia. Sim, o time conseguiu o seu quinto All Star, uma verdadeira constelação em seu quinteto titular. Mesmo com uma grave lesão em seu tendão, Cousins continuará sendo um dos melhores jogadores em sua posição, o que torna o Warriors, na teoria, quase imbatível. Com tamanho desequilíbrio na liga, causado principalmente pelo Kevin Durant, o espetáculo perde um pouco da “graça”, pois ninguém gosta de assistir a um filme em que todos já sabem o final, a não ser que goste muito do filme, mas mesmo assim, não será a mesma coisa porque o filme não irá mais te surpreender. A NBA hoje se tornou isso, apesar de ter muitos fãs que gostam muito da liga, é aquele filme clichê, que todos sabemos o final.