• filipeq09

QUAL O LIMITE DO REPÓRTER ESPORTIVO?


Foto: Marcos Ribolli

Mais uma vitória sofrida para o Corinthians em 2019 - a mais sofrida, na verdade. Mas agora tudo parece estar tranquilo no Parque São Jorge. Quase tudo. A noite da última segunda, dia 8, não foi apenas de uma pressão absurda da equipe santista, mas também de tensão e bate boca nos bastidores pós-jogo.


Ao ser perguntado sobre seu tratamento com a imprensa desde sua volta ao Brasil, citando a última entrevista dada na sexta, dia 6 (onde teria acusado jornalistas de vazarem informações do time), além da sua polêmica ida para a China em 2018, o técnico Fábio Carille respondeu à altura, se defendendo das críticas e trazendo a tona novamente a hipótese de setoristas do clube vazarem informações táticas do time alvinegro.


A pergunta foi feita pelo jornalista André Ranieri, da Rádio Jovem Pan, que quando foi questionado pelo treinador sobre a veracidade das informações, mostrou-se insatisfeito e retrucou com mais questões sobre o tema. Aos poucos o clima foi esquentando e os ânimos estavam exaltados de ambos os lados. Enquanto Carille era firme nas respostas, o jornalista seguia tentando arrancar do comandante do Timão o que queria realmente saber.


O problema principal foi o a rispidez de ambos na entrevista coletiva. O repórter provocava e o treinador dava o troco. A sala se tornou um ringue com uma briga de egos, o futebol de Santos e Corinthians ficou de lado, dando lugar ao tema extra campo ocorrido no passado. A assessoria corintiana teve que acalmar os profissionais envolvidos e afastar o repórter da sala de imprensa. O entrevistador estava visivelmente exaltado, com tom de voz acima do normal e falando fora do microfone palavras duras dirigidas a Carille, dizendo para ele provar o que disse.


A questão não é o tema abordado pelo jornalista esportivo, afinal a liberdade de imprensa está aí e cada um pergunta o que for conveniente na ocasião (da mesma maneira, a resposta do entrevistado também é livre). O problema de fato foi o jeito com que o profissional de imprensa conduziu a entrevista. No mundo acadêmico e na pratica da profissão, se aprende que jamais o repórter deve discutir com seu entrevistado, a entrevista deve ser um encontro de ambos em harmonia, abordando o assunto tratado pacificamente, mantendo o decoro e a ética.


Tal atitude do jornalista da Jovem Pan foi equivocada, a exaltação não deveria ocorrer em hipótese alguma, pois como sabemos, quem se excede acaba perdendo a razão. Em postagem no Twitter, Ranieri revelou novamente seu descontentamento com Fábio Carille e deixou claro que está recebendo ameaças e ataques ao seu caráter.


Apesar de ser vítima também, o repórter não deveria colocar panos quentes desta maneira, ficando no meio da torcida e do clube. Isso fará mal apenas a ele, pois como sabemos, o torcedor sempre apoiará a equipe e questionará as informações que chegam. Neste, e demais casos do tipo, o jornalista deve apenas informar o fato, e mediante profunda averiguação; já em entrevistas, a conversa deve ser feita de maneira sucinta, sem provocar escândalo em meio aos colegas de imprensa e funcionários do clube que se está cobrindo.

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