• filipeq09

QUANDO O BOM SENSO DEVE ENTRAR EM CAMPO


Foto: Carlos Gregório Jr./Vasco da Gama

A cena final da disputa entre Santos e Vasco pela quarta rodada do Brasileirão 2019 poderia ser outra. Rodrygo, atacante do Santos, acabou com o jogo, fez um dos gols e contribuiu para o volume e ritmo de jogo imposto pelo Peixe. Sem dúvidas ele merecia ser eleito o craque do confronto de domingo, 12. Ou quem sabe Diego Pituca, pelo belo gol de fora da área, ou Soteldo, pelo último tento do alvinegro praiano, também poderiam ser eleitos.


Dos jogadores do Vasco, dificilmente alguém ganharia esta disputa, regulamentada pela Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão e comercialização do Campeonato Brasileiro Série A. O troféu de "craque da galera" é oferecido ao melhor jogador de determinada partida, entre os dois times em disputa. Assim como é nomeado, a galera, ou seja, o público em geral, torcedores de todos os cantos do Brasil e do Mundo tem direito a votar, de forma livre e sem justificativa - liberdade de expressão praticada com sucesso.


Porém, o risco vem no momento em que esse poder dado aos torcedores pode se voltar contra o próprio futebol. No jogo em questão, o goleiro Sidão iniciou já cometendo uma falha grave, ocasionando no gol do adversário. Assim como todo o time vascaíno, o arqueiro estava em um dia péssimo, levando três gols e falhando em dois deles, além de saídas de bola erradas e bolas rebatidas. Em total atitude irônica, a torcida se mobilizou de maneira a "homenagear" o jogador, se tornando em uma espécie de solidariedade.


Até aí não há problemas, pois como foi citado, a liberdade de expressão deve ser cumprida pois o sistema foi feito assim. Mas além de receber o resultado, a equipe esportiva da emissora teve que cumprir com o regulamento proposto e premiar Sidão com o troféu simbólico (foi constrangedor, todos já sabiam que seria), mas nada foi feito a fim de evitar tais acontecimentos. Agora a regra mudou, com comentaristas participando também da votação. Mas se tratam de medidas corretivas e não preventivas; o que foi feito com o atleta Sidão foi de um desrespeito enorme, algo que não deveria ocorrer.


A zoeira tem limite, e este é onde se inicia o bom senso. Se ele não existe por parte dos torcedores, é obrigação dos profissionais de imprensa ditarem as regras para o devido cumprimento do respeito e valorização do atleta que se está expondo na mídia.