• Livia Camillo

Quem casa (ou joga), quer casa


Acostumado a receber um público risível na Vila Belmiro nos últimos anos, o Santos desaprendeu (aos poucos) o significado de “jogar em casa”. Em três partidas no estádio praiano, a equipe alvinegra teve apenas 18.360 pagantes, aproximadamente 53% dos 34.448 que compareceram ao clássico diante do Corinthians, no Pacaembu, no último domingo – foram 37.431 ao todo.


Com a chegada da nova diretoria, regida por José Carlos Peres, que prometeu mandar 50% dos jogos como mandante à capital paulista durante a campanha eleitoral, a torcida começou a divergir. Uma pequena parte, porém engajada, acredita que o time é de Santos, e lá deve jogar. Outra, formada principalmente pelos residentes da Metrópole, se anima. Mas, visto os desdobramentos, como o veto da Federação Paulista de Futebol para a estreia do Peixe (contra o Bragantino) no Pacaembu, e a falta de energia elétrica em pleno Clássico Alvinegro, os críticos de ambos os lados ganham prato cheio para as discussões.


Alguns questionamentos ficam no ar... Primeiro, pode o Santos, com a pouca arrecadação no Urbano Caldeira, arcar com a manutenção do estádio realizando apenas metade dos confrontos e sem sentir peso algum no “bolso”? Segundo, mandar partidas no Pacaembu já gerou revolta em torcedores da baixada santista, que “protestaram” não comparecendo à partida contra o São Caetano na Vila, e prometeram novos boicotes nas redes sociais. Como a nova gestão lidará com o marketing negativo? Terceiro, mas não menos importante, o Santos pode perder sua identidade jogando meio a meio?


Em 2017, o Alvinegro quase igualou seus piores anos na Vila Belmiro; em 1945, 1952 e 1986, foram nove derrotas na Baixada, contra sete do ano passado - a pior delas contra o Barcelona de Guayaquil, na Libertadores. O time se salvou de igualar a marca negativa ao vencer o Grêmio e empatar com o Avaí. Naquele que costumava ser o "caldeirão", o Santos provou não ser tão imbatível assim.


Por outro lado, a amarga eliminação nos pênaltis para a Ponte Preta, na última edição do Paulistão, em pleno Pacaembu lotado, faz sucumbir a ideia de quem acredita que a sequência de 25 jogos invictos no ‘simpático’ Paulo Machado de Carvalho não fará o Santos sentir falta de sua “casa na praia”.


Em outros tempos, inclusive na Era Modesto, pelo sentimento provinciano, seria impensável mandar metade dos jogos para a terra do Trio de Ferro, que dirá 100% das partidas da Libertadores - mais uma das promessas de Peres. Mesmo assim, a única esperança do torcedor santista (daquele que acompanha mesmo o time onde quer que seja) é: vitórias, não importa em qual casa. Para isso, ainda há bastante estrada para o Santos percorrer, seja pela Rodovia dos Imigrantes ou pela Anchieta.


(Foto: arquivo pessoal)