• robson teixeira

Relembre o mais brigado e emblemático superclássico entre Boca e River na Libertadores


Foto: reprodução


Hoje, vamos falar sobre um dos jogos mais intensos e brigados da história da Libertadores da América, o superclássico argentino River Plate e Boca Juniors, válido pela partida de volta das semifinais da Libertadores de 2004.


A partida aconteceu no dia 17 de junho de 2004 no Estádio Monumental de Buenos Aires, casa do River Plate. O público da partida era de 70 mil pessoas e o juiz era o argentino Héctor Baldassi. O River era treinado por Leonardo Astrada e veio com um esquema 4-2-2-2. A escalação era a seguinte: Lux era o goleiro; os laterais eram Husain na direita e Rojas na esquerda; a dupla de zaga era Nasuti e Ameli; os dois volantes eram Mascherano e Montenegro e os meias eram Lucho Gonzáles e Coudet; a dupla de ataque era formada por Máxi López e Cavenaghi.


O Boca, por sua vez, era o atual campeão da América e do mundo e tinha como treinador o excelente Carlos Bianchi. Os azuis e amarelos vieram escalados com: Abbondanzieri no gol; Clemente Rodrigues na lateral esquerda e Perea na direita; Schiavi e Burdisso na zaga; o trio de volantes tinha Villareal, Ledesma e Cagna, o meia-armador era Vargas; e a dupla de ataque era formada pelo jovem Tévez e pelo ídolo Schelotto, atualmente treinador do Boca Juniors. O esquema era um 4-3-1-2.


A situação que precedia aquela semifinal era tensa: 30 dias antes, em plena La Bombonera, o River havia vencido por 1 a 0 o duelo entre as equipes pelo Campeonato Argentino e praticamente colocou a mão na taça. A fim de evitar brigas nas arquibancadas, foi decidido que haveria torcida única nos dois jogos da Libertadores. No jogo de ida da semifinal, o Boca jogou em La Bombonera e venceu por 1 a 0, gol de Schiavi. O confronto ficou marcado por brigas e lances violentos, resultando em três expulsões: o meia Gallardo e o zagueiro Garcé, pelo River e o meia Cascini, pelo Boca Juniors.


No emblemático jogo da volta, o Boca veio para jogar no contra-ataque e enfrentar a forte pressão causada pelos fanáticos torcedores do River no Estádio Monumental. Aos 16 minutos, o jovem Máxi López sofreu pênalti do zagueiro do Boca, Schiavi, porém, o juiz não marcou e gerou revolta nos torcedores do River. Os donos da casa estavam nervosos, tentavam atacar, mas não conseguiam passar pela forte defesa do Boca Juniors.


No primeiro lance do segundo tempo, o meia Vargas, do Boca, fez falta desnecessária em Lucho González e foi expulso. Cinco minutos depois, o próprio Lucho abriu o placar. Ele arrancou do meio-campo, passou por dois marcadores e chutou de fora da área, 1 a 0. O confronto estava empatado no placar agregado. O River tinha um jogador a mais e resolveu partir para o ataque, enquanto o Boca tentava se proteger do jeito que podia. Aos 39, Sambueza, do River Plate, foi expulso após reclamar com o juiz devido a uma provocação do atacante rival, Schelotto. No meio da confusão, o auxiliar técnico do River, Hernán Diáz, também foi expulso.


O treinador do Boca, Carlos Bianchi, resolveu tirar o experiente meia Cagna e colocar o jovem ponta-esquerda Cángele e o resultado dessa alteração entrou para a história dos superclássicos. Aos 44 da segunda etapa, Cángele se mandou pelo lado esquerdo e cruzou rasteiro para área, a zaga não conseguiu cortar e Tevéz chutou forte para o gol, 1 a 1.


O argentino marrento tirou a camisa e comemorou imitando uma galinha para provocar a torcida rival. O árbitro Baldassi não gostou da brincadeira e expulsou Carlos Tévez. Vale lembrar que o River Plate recebeu o apelido de “galinha” em 1966, quando tomou uma virada de 2 a 0 para 4 a 2 contra o Peñarol e perdeu uma final de Libertadores praticamente ganha. No jogo seguinte àquela derrota, o River enfrentou o Banfield, pelo Campeonato Argentino e, misteriosamente, uma galinha apareceu em campo.


Voltando a falar da semifinal de 2004, o juiz deu quatro minutos de acréscimo. Enquanto o Boca tentava se defender com apenas nove homens, o River partia para o ataque em clima de desespero. O time da casa conseguiu uma falta no último lance do jogo, mas era muito longe do gol. Cavenaghi jogou a bola na área e ela chegou até os pés do zagueiro Nasuti, que, muito desajeitado, fez o gol da vitória do River, 2 a 1. Como ainda não havia o critério do gol fora de casa, a disputa foi para os pênaltis.


Os dois times acertaram suas quatro primeiras cobranças. Na quinta penalidade do River Plate, Abbondanzieri acertou o canto e defendeu o chute do atacante Máxi López. Villareal foi o último cobrador do Boca, ele bateu forte e selou a classificação. Depois de muita luta, o Boca estava na final da Libertadores de 2004. Era a quarta final continental do Boca em apenas cinco anos.


Depois daquela partida, o River viveu uma seca de títulos e só voltou a ganhar uma Libertadores em 2015. O Boca, por sua vez, sentiu o desgaste físico e psicológico de uma semifinal tão intensa e foi derrotado pelo colombiano Once Caldas na final de 2004. A grande ironia é que o confronto foi para os pênaltis e o Boca errou todas as suas cobranças.


Em 2007, liderado pelo craque Riquelme, o time azul e amarelo voltaria a conquistar a Libertadores em cima do Grêmio e marcaria o fim de uma era, pois o Boca nunca mais ganhou uma Libertadores desde então.

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