• Alexandre Cardillo

SÃO CAETANO REMEMORANDO SUAS GLÓRIAS

O futebol realmente é uma caixinha de surpresas, como entoa o dito popular. Quando um time parece estar desacreditado, de repente, “renasce como Fênix” e enobrece de orgulho o coração do torcedor. O São Caetano vive este momento. A equipe do ABC paulista faz uma bela campanha no Paulistão 2018, relembrando seus áureos tempos, no início dos anos 2000.



Vale lembrar que o São Caetano é uma agremiação nova que, no final deste ano, completará apenas 29 anos de existência. A história do Azulão, como é conhecido o time em referência à predominância da cor azul em seu uniforme, começa precisamente no dia 4 de dezembro de 1989. A ascensão do clube é meteórica.


O primeiro jogo oficial acontece no ano de 1990, quando o time empata com o Comercial, da cidade de Registro, por 1 a 1. Após este jogo, o Azulão começa a “garimpar” seu elenco e galgar resultados importantes no cenário do futebol interiorano. Obviamente que ainda, em um processo de incertezas. Mas a afirmação deste elenco começa a dar frutos já no final da década de 1990. No ano 2000, uma equipe que chega para mudar a história perante os grandes clubes e fazer história, junto a eles. O cube entra na Copa Havelange, através do acesso ao Módulo Amarelo (Segunda Divisão do nosso futebol, à época), sagrando-se vice-campeão. Passa a disputar partidas de igual para igual com as potências do nosso esquete. Faz jogos emblemáticos, eliminando Palmeiras, Grêmio e Fluminense. Contra o Tricolor das Laranjeiras, um marco na caminhada do Azulão, que é lembrado até hoje pelo torcedor saudosista. No Maracanã lotado, com 70.000 pessoas, o São Caetano não se intimida e arranca um empate sofrido, por 3 a 3. No jogo da volta, no antigo Palestra Itália, vence por 1 a 0, com um golaço do meia Adhemar, o maior ídolo do clube. Na final, o time do ABC encara o poderoso Vasco da Gama, capitaneado por Romário. É a primeira grande decisão de peso do time paulista. O título ficou com o Vasco, mas o São Caetano mostrou como era e é possível fazer frente, quando se há organização e trabalho sério. No ano seguinte, em 2001, um novo vice-campeonato, desta vez perdendo para o Atlético-PR. No Campeonato Paulista, uma equipe forte. Ano após ano, incomodava os times grandes. Em 2002, o auge de um time que por pouco, não conquistou a América. A equipe faz uma Libertadores impecável, eliminando o tradicional Peñarol, do Uruguai, nas quartas de final. Na grande decisão, acabou sucumbindo para o Olimpia, do Paraguai. No primeiro jogo, vitória do São Caetano, por 1 a 0, com gol de Aílton. Mas no segundo jogo, disputado no Pacaembu, derrota por 2 a 1, de virada. O jogo foi para os pênaltis e o time paraguaio sagra-se campeão, com o placar de 4 a 2. O São Caetano, mesmo com a derrota, encheu de orgulho sua fanática torcida e o técnico Jair Picerne entra para a galeria dos treinadores mais importantes do nosso futebol. Ele conseguiu montar um time que até hoje é lembrado por muitos. Grandes jogadores como o goleiro Silvio Luiz, o zagueiro Serginho (faleceu em um jogo contra o São Paulo, no Morumbi), o atacante Somália, o volante Marcos Senna, que brilhou anos mais tarde com a camisa da seleção da Espanha e os meias Adãozinho, Robert e Adhemar (como já dito aqui, o maior ídolo do clube), marcaram uma das maiores gerações do nosso futebol, que será reverenciada para sempre. Com esta base e com Muricy Ramalho como novo técnico do São Caetano, o time conquista o Campeonato Paulista de 2004, derrotando o Paulista de Jundiaí, no Pacaembu. Um título que veio coroar um time predestinado a grandes desafios. No entanto, assim como a maioria dos clubes com pouco investimento no Brasil, o São Caetano padeceu de dificuldades financeiras e acabou tendo um declínio abrupto. Perdurou por muito tempo no segundo escalão do futebol de São Paulo. Conseguiu, aos poucos, se reerguer.



Hoje, o São Caetano pode novamente fazer história. De volta à elite do futebol paulista, faz o jogo da volta no Morumbi, contra o São Paulo, válido pelas quartas de final do Campeonato Paulista. O time venceu por 1 a 0, no último sábado, no Estádio Anacleto Campanella. O gol foi marcado por Chiquinho. O time tem grandes chances de avançar. Joga pela vantagem do empate e, em caso de derrota por um gol de diferença, a partida será decidida nas cobranças de pênaltis. Claro que o discurso é de respeito ao Tricolor Paulista. O São Caetano, independentemente da classificação à semifinal, já resgatou ao seu torcedor aquele espírito de garra, competitividade e resultados. Na fase classificatória, os comandados do técnico Pintado derrotaram o Palmeiras em pleno Allianz Parque, por 1 a 0, também com gol do meia Chiquinho. Portanto, um time que não se intimida com o tamanho do adversário, fazendo valer sua condição de time tradicional, assim como outrora. Um time modesto, sem as estrelas do passado, mas com planejamento, seriedade, respeito e muito trabalho. Isto é bonito de se ver. Isto é de se tirar chapéu. Uma campanha que relembra sim, os áureos momentos do Azulão.

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