• Vinicius Rodrigues

SÃO PAULO E SUAS INCERTEZAS

Atualizado: 16 de Fev de 2019


Foto: Marcos Ribolli


Com a eliminação precoce na última quarta-feira (13), o São Paulo amarga agora em 10 anos, 28 eliminações em mata-mata. Um número muito elevado para uma equipe que sempre soube jogar torneios neste modelo eliminatório.


“Temos que seguir o mesmo caminho, e manter esse espírito”, disse Hernanes após a partida. Mas a torcida são-paulina deve discordar destas palavras, até porque o tricolor não anda nos trilhos há alguns anos.


O modesto Talleres foi o algoz da vez, e com méritos. Surpreendentemente jogou melhor os dois jogos, deixando de lado a supremacia do São Paulo, que era o franco favorito para avançar à próxima fase.


Mas o que assusta o torcedor, é a forma que o seu time encarou esse duelo, de forma medonha, apático, sem brio, sem o “espírito” de Libertadores. Na partida da volta, até tentaram algumas vezes demonstrar uma garra, um carrinho ali, outro aqui, mas nada que mudasse o panorama do jogo.


Jardine que escalou uma equipe ofensiva, buscando usar Diego Souza ou Pablo como meia-atacante, foi mal na escolha, inúmeras vezes durante a partida o que foi visto era uma situação totalmente contrária. Os dois homens se afunilavam no ataque, esperando apenas as bolas alçadas na área, ou os lançamentos. Deixando um buraco entre a primeira e a segunda linha dos argentinos. Como podemos ver nas imagens à baixo:


Foto: Reprodução Globo - Os quatro homens do ataque São-Paulino, estão na frente da linha da bola, os dois volantes estão avançados. Faltava o articulador, sobrava espaço entre as duas linhas de marcação dos argentinos.


Foto: Reprodução Globo - Hernanes recebe a bola com um certo espaço, porém ninguém se aproxima, para uma triangulação, uma jogada no coletivo. Muitas vezes na partida essa cena se repetiu, o volante carregava bola, por não ter alguém do seu lado para criar algo diferente.


Esse tem sido o São Paulo dos últimos jogos, o time pode até ter a bola, porém é uma posse sem objetividade. A equipe não consegue criar, em 180 minutos apenas 4 chances claras de gols, mas em nenhuma delas conseguiu balançar as redes. Vale lembrar que nos últimos 6 jogos, apenas Hernanes conseguiu ir ao barbante, contra o São Bento no Pacaembu pelo Campeonato Paulista.


Tensão, ansiedade, pressão, nervosismo, talvez esses foram os sintomas que atrapalharam os jogadores do São Paulo, que em nenhum momento conseguiu colocar em prática, a força da sua camisa, o ímpeto de um time que precisava da vitória por dois, ou mais gols, o coletivo não dava certo, e o individualismo dos poucos jogadores que tentaram algo diferente, esbarravam na forte marcação da equipe bem compactada do Talleres.


Tudo que os argentinos tiveram, faltou para equipe brasileira, a organização, paciência, e claro a pontaria calibrada, como tiveram em Córdoba.


Não é o fim do mundo para quem pintou a América 3 vezes de vermelho, preto e branco, mas é o fim da América em 2019, como também, o fim da era Jardine à frente da equipe principal. Agora chega o Cuca, após 15 anos retorna ao São Paulo para tentar da jeito na casa, mas não assume o time agora, interinamente Mancini irá comandar a equipe. Mesmo dizendo que jamais assumiria este cargo. Um ano que tem seu início da mesma forma que encerrou 2018, cheio de incertezas. A única certeza que nós temos, é que a torcida tricolor chegou ao seu limite.

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