• Mathias Galdi

SÓ A SELEÇÃO NÃO ESTÁ DE PARABÉNS

Durante os últimos dias, a Seleção Brasileira entrou em campo pela She Believes Cup, torneio ao qual o Brasil foi convidado pelos Estados Unidos, anfitriãs da competição. A quarta edição do chaveamento terminou com a Inglaterra campeã (e invicta), igual aos EUA.


Mas, e a amarelinha? Lhes pergunto o mesmo. O time de Vadão, sim, aquele mesmo de Criciúma e Guarani, fez o papelão de não somar nenhum ponto no torneio, nem mesmo um empate. Foram três derrotas, sendo dominada em uma e lutando nas outras.

Thaísa vendo Heath e as americanas comemorando o único gol da partida. (Foto: Jogadelas)

Ás vésperas da Copa do Mundo Feminina, prestes a ser disputada em Junho, na casa da fortíssima França. O grupo do Brasil (C) não é nada bobo. Contando com Austrália, Jamaica e Itália. Nossas escolhidas sempre são uma incógnita dentro de campo: podem tanto vencer todas, como também são capazes de sofrerem para se classificar, ou até mesmo não.


"BRASIL TEM A MARTA!"

Seis vezes melhor do mundo, Marta não possui o mesmo "fôlego" de antes. Ainda mais sem Cristiane, quem foi desfalque no torneio em Nashville. Sem uma referência do peso da atleta, agora, tricolor, era "fácil" marcar a alagoana. Jogando em um 4-4-2 na defesa, o ataque era com Debinha e Bia no ataque, com Marta flutuando pelo lado esquerdo e, naturalmente, pelo campo todo.


Ao invés de ajudaram a veterana, parecem dificultar. Durante a partida contra os Estados Unidos, onde Vadão e as atletas saíram derrotadas graças a Tobin Heath, as companheiras, que pareciam não querer ajudar, aparentavam não querer correr. E quem deslumbrávamos ver correndo no campo de defesa? Ela mesma, a 10.

Marta teve mais uma partida apagada. (Foto: UOL/ Edição: Mathias Galdi)

Ao invés de pouparem a melhor do mundo (mesmo ela não merecendo o prêmio), parecem jogar contra. Aquela birra de "ela é a melhor do mundo; joga sozinha, se vira" não deveria existir em momento algum, em qualquer ambiente de trabalho, contudo, às vezes parece ter.


Além de se mostrar uma equipe sem preparo técnico, pois eram nítidos os passes curtos e errôneos apresentados pela equipe. As únicas que se salvaram durante todo o torneio foram Thaísa e Formiga (obrigado por existir, Miraildes), coincidentemente, ou não, a dupla de volantes.

Formiga, em 1999 em treino. A volante fez 41 anos no último dia 3. (Foto: UOL)

A bronca não deve ser aplicada apenas nas garotas. Vadão, quem está á frente da seleção desde 2014, com uma rápida passagem pelo Guarani em 2017, não agrega em nada. As duas Copas conquistadas não são de relevância alguma. Jogando contra seleções, no mínimo, acima da 20ª posição do ranking da FIFA, a Seleção Canária venceu seis das oito edições.


Na última Copa do Mundo, perdeu para a Austrália, sua futura rival, nas oitavas-de-final. Mesmo terminando na primeira colocação, as brasileiras pegaram uma das piores equipes para se jogar contra. Nas Olimpíadas, disputadas em casa, o povo brasileiro só queria uma medalha. Porém, Sophie Schmidt e o Canadá não permitiram o sonho na disputa de bronze. Sonho do ouro já havia sido interrompido contra a Suécia, nos cruéis pênaltis. Detalhe: venceu o time australiano nos pênaltis, uma rodada antes.

Seleção canadense ganhou o bronze do Brasil nas Olimpíadas. (Foto: Sophie Schimidt on Twitter)

Como um todo, a CBF também tem sua parcela de culpa. Assim como o VAR no Campeonato Brasileiro do ano passado, onde a tecnologia foi apresentada apenas com seus pontos fracos, para, intencionalmente, não ser aprovada pelos times.


Um futuro sem investimento, sem uma seleção brasileira feminina. Esse é o caminho para o qual estão nos levando. Sem grandes nomes, por enquanto, as sucessoras de Marta, Cristiane e Formiga podem ter um legado pesado demais para carregarem no futuro.


Neste dia 8, um feliz dia das mulheres á todas, mas, nem de longe, é um dia feliz na Seleção.

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