• Bruno Cassiano

Saudade


FOTO: Waleed Ali/Reuters

Na Copa do Mundo de 1990, o Brasil foi eliminado nas quartas de final. Os argentinos foram os algozes da vez. Caniggia assinou o gol, depois dos 35 minutos do segundo tempo, que acabou com o sonho do tetra verde e amarelo, e virou trecho de música da torcida argentina. Os brasileiros choraram de tristeza, os argentinos choraram de alegria.


Em 2004, Brasil e Argentina chegaram à final da Copa América, Carlos Amarilla foi o homem do apito. O placar marcava 2 a 1 para os hermanos, o relógio indicava 43 minutos do segundo tempo. Os adversários já davam como certa a vitória, o título e o fim de um jejum, que durava onze anos sem vencer título algum. Até que Adriano, o Imperador, fez jus ao apelido e empatou o jogo faltando pouco para final. Nos pênaltis, vitória brasileira por 4 a 2 e um título histórico que é motivo de riso até hoje. Os argentinos choraram de tristeza, os brasileiros choraram de alegria. Que triunfo!


Três anos mais tarde, a Canarinho encontra com os vizinhos novamente, mesmo campeonato, mesmo árbitro, campo diferente. A final anterior tinha sido em Lima, no Peru, essa por outro lado foi em Maracaibo, na Venezuela. Mais um triunfo brasileiro, com sonoros 3 a 0 e pouca dificuldade na construção do placar. Novamente, o fim do sonho de conquistar um título depois de muito tempo no lado de lá. Mais um choro de tristeza argentina. Do lado de cá, mais um título histórico.


São só três confrontos, no meio de muitos outros importantes ou amistosos, disputados entre as duas seleções sul-americanas que, juntas, formam o maior clássico do planeta. Três confrontos para nos fazer esquecer do que foi realizado este ano. Um jogo apático que em nada lembrou a rivalidade ou os grandes jogos que envolvem Brasil e Argentina.


Se antes levantávamos a taça em uma competição oficial, hoje levantamos taças em partidas realizadas em estádios com pouca história, em jogos que não valem nada, além de um dado a mais para estatística. Se antes tínhamos jogadores com garra e vontade de vencer a todo custo o nosso maior rival, hoje temos jogadores que aceitam cada bola que passa, cada dividida que perdem, cada resultado que se encontra no placar quando o jogo se encaminha para o seu fim.


O choro era de alegria ou tristeza. A vitória era motivo de sarro e comemoração alongada, a derrota era motivo de desejar que o futebol nunca tivesse sido inventado. Antes o choro fosse de alegria, antes fosse de tristeza. São melhores que o choro de hoje, pois hoje o nosso choro é de saudade.