• Bruno Cassiano

SOBRE A FRANÇA E A EVOLUÇÃO


FOTO: FIFA

Em um dia vemos as mulheres dos Estados Unidos aplicarem uma goleada nas mulheres da Tailândia. Treze a zero, resultado histórico. Nunca se viu placar mais elástico em Copas do Mundo. Era um jogo de números previsíveis, há um abismo entre EUA e Tailândia em termos de investimento. Mas foi-se o tempo no qual este resultado era normal, hoje se tornou exceção.


Essa é uma Copa do Mundo com muito equilíbrio na maioria esmagadora dos jogos. Com jogadas bem trabalhadas, gols bonitos, defesas sólidas e goleiras cada vez mais habilidosas. O futebol feminino passa por uma constante evolução que dá gosto de ver.


Um bom exemplo dessa evolução é a equipe da França, as donas da casa. A seleção francesa tem uma combinação quase perfeita de tática e habilidade, de planos bem traçados e desempenho. Isso é um dos principais fatores que colaboraram com as duas vitórias até aqui e, consequentemente, a liderança do grupo. É o time que mais gostei de ver jogar nesta edição do torneio, por enquanto.


Contra a Noruega, encontraram um adversário também bem definido e perigoso. As norueguesas são fortes na defesa e velozes mais à frente, tocam bem a bola e criam tramas que podem ser fatais a quem vacila. Foi um jogo com tantas estratégias que o campo mais parecia um tabuleiro de xadrez, pois a elegância com a qual desempenhavam era digna de enxadristas dos mais talentosos e difíceis de vencer.


O primeiro tempo terminou empatado em 0x0, com a França tendo arriscado 9 chutes, contra 4 das norueguesas, porém em termos de pontaria as francesas venceram apenas por 2x1, contanto os chutes que foram ao gol. Parecia um jogo fadado a terminar 0x0, daqueles que não há como reclamar por ter valido a pena ver os dois times buscando a vitória. Isso mudou em menos de um minuto da segunda etapa.


Aproveitando um cruzamento da esquerda, Gauvin completou para o gol sem chances para a goleira norueguesa. De um gol contra de Renard veio o empate, mas o desempate não tardou a vir na batida de pênalti da Le Sommer. O placar final acabou sendo justo para quem jogou melhor o jogo inteiro, mesmo que isso não signifique que a Noruega jogou muito abaixo da França.


O time francês tem uma zaga com potencial para ser a melhor da Copa, lideradas por Renard, e laterais que apoiam o ataque o tempo todo, com Majiri e Torrent. Um meio campo firme e com jogadoras de ampla visão de jogo, como a Henry. Um ataque veloz e mortal, com jogadoras completamente ativas no jogo como a Le Sommer, Gauvin, Diani e Cascarino. É completamente bem definido em todos os setores com jogadoras que se destacam e somam para o melhor desempenho do time como um único organismo.


Quem pôde assistir, assim como eu, deve ter ficado feliz com o que viu. Os entusiastas do futebol feminino também devem ter ficado animados, é nítida a evolução na habilidade, na tática e na beleza com o que o futebol está sendo tratado nessa Copa do Mundo Feminina. Ainda há muito para ver e curtir, mas vendo jogos como esse e tantos outros que já passaram, é impossível já não sentir uma tristeza ao imaginar que daqui a pouco o campeonato acaba. Até lá, que sejamos espertos aproveitando mais e resmungando menos.


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