• Bruno Cardoso

SPORT FECHA AS PORTAS DO FUTEBOL FEMININO E 20 ATLETAS SÃO DISPENSADAS

Em meio a crise financeira, Sport "abre recesso" para o time feminino e dispensa 20 jogadoras

Foto: Divulgação / Sport Club do Recife

Quando entrei para o time da De Prima no final do mês de dezembro, me foi colocado o desafio de falar sobre o futebol feminino, e desde janeiro venho me empenhando nisso com muito orgulho e seriedade.


Acompanhar a evolução e a luta por um espaço em um cenário completamente machista, tem me feito amar cada vez mais essa categoria do futebol, que confesso, não conhecia tão profundamente como hoje. Eu cresci assistindo futebol com o meu pai, independente do time, da liga ou divisão, o importante era ter a bola rolando. Foi também com ele que comecei a assistir o futebol feminino, era 2006 ou 2007, não me recordo bem, mas ele colocava na Band para que pudéssemos acompanhar os jogos das meninas pela seleção.


Onde eu cresci, algumas meninas jogavam com os meninos, e eram muito boas, com potencial até para ser profissional, quem sabe?! Mas naquela época era comum ouvir: “Ah, aquela menina joga futebol, maior Maria macho”, fico pensando em quantas Martas, Cristianes, Formigas, nós perdemos devido a esse pensamento ridículo.


Hoje eu me senti obrigado a fazer esse desabafo ao invés de vim apenas com um texto informativo, já que nesse tempo como colaborador da De Prima - que vem sendo maravilhoso - eu venho dar a primeira notícia triste de 2019 no futebol feminino. Infelizmente o Sport Club do Recife anunciou na última terça-feira (19) que daria umas “férias coletiva” para as meninas do clube. Uma maneira sutil de falar que finalizaram as atividades do futebol feminino.


Na contramão do que vive o futebol brasileiro em 2019, o Sport, um time de tanta tradição, é o primeiro a fechar as portas para o futuro. Ao contrário do que afirmava o presidente Milton Bivar, que enquanto candidato ressaltava a importância de manter o núcleo feminino, e todas aquelas promessas políticas. Foram necessários apenas dois meses para cair em contradição, e todo o incentivo prometido terminar com a dispensa de 20 meninas que ocupavam o alojamento na Ilha do Retiro.


A equipe que havia sido reativada em 2016 é heptacampeã pernambucana e iria disputar a série A do campeonato brasileiro feminino, enquanto equipes tradicionais como São Paulo e Palmeiras vão disputar a A2.


O presidente rubro-negro alegou que o motivo do fim do núcleo feminino foi causado pelo déficit de R$100 milhões, e disse em entrevista ao site Globo Esporte:


As pessoas perguntam como essa dívida foi gerada. Vou dar um exemplo do que aconteceu aqui nos quatro últimos anos. O Sport contratou um jogador que tinha os direitos econômicos ligados a dois clubes. Dividiu a compra em 12 vezes, pagou uma e não pagou mais. Atrasou o salário do jogador e passou a ter três dívidas. Não foi só um atleta, foram vários. Isso, além de jogador ganhando até R$ 400 mil. O Sport não pode pagar esse salário para ninguém. ” declarou Bivar.


O elenco rebaixado em 2018 no campeonato brasileiro masculino custava cerca de R$ 2,5 milhões ao Sport, o elenco para a temporada 2019 tem estimativa de custo de R$ 1 milhão. Mas o alvo para o corte de gastos é o futebol feminino, que custava ao clube cerca de R$ 40 mil.


Se a desculpa do presidente é justamente o corte de gastos, não daria mesmo para economizar no elenco do masculino para a disputa da série B? E se a outra desculpa for que o feminino não atrai patrocínio e não oferece um retorno para o clube, a questão que fica é: onde está o departamento de marketing?


A obrigatoriedade imposta pela CBF e pela Conmebol dos times terem um elenco de futebol feminino abriu muitas portas, mas a do Sport pelo que aparenta, só vai se reabrir em 2020, quando será oficialmente obrigatório os times da série B terem um elenco feminino como os da série A.


Quem perde com isso é o esporte, o espetáculo, e as 20 garotas que ainda esperam a boa vontade do clube em dar as passagens para que possam voltar para os seus lares.

Enquanto isso, o alojamento que era utilizado pelas meninas já foi encaminhado para os garotos da base, já que o alojamento dos meninos – que não tem culpa nenhuma da gestão do clube- está passando por reformas.


Como torcedores e amantes do futebol, o que resta é torcer para que novos casos assim não aconteçam, e que seja justamente o contrário, como fez o Palmeiras anunciando o elenco feminino.

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