• Nicolás Alejandro Bianchi Sica

TÁTICA DE PRIMA: A ESCOLINHA DO PROFESSOR TITE

Na partida contra o México, claramente houve dois Brasis completamente diferentes. Um, nos primeiros trinta minutos, que tomou um sufoco impensado. Outro, no final do primeiro tempo e especialmente no segundo tempo, que venceu com autoridade. A dúvida que fica é: o que mudou? E acima de tudo, o que esperar do próximo jogo? E se o hexa é sonho, vamos à análise em seis tópicos.


1) BRASIL SOUBE DESGASTAR O ADVERSÁRIO

O México começou o jogo com uma marcação alta que impedia o Brasil de jogar. Colocou três atacantes e com isso bloqueou a saída de Fagner e Filipe Luis. Sem jogo pelas laterais, Willian, Neymar e Coutinho nunca recebiam a bola em condições de puxar o contra-ataque. Enquanto isso, os três volantes mexicanos estavam em superioridade numérica em relação a Paulinho e Casemiro, que não encontravam a bola e também não eram opões na saída. Com isso, restavam chutões, e a bola voltava igual “boomerang”.

Esse esquema mexicano, contudo, teve um custo: o imenso desgaste físico. O Brasil segurou essa meia hora de aluvião e fez com que o México perdesse fôlego na marcação. Os espaços aparecem a partir desse momento, e a superioridade técnica fez o resto do trabalho.


2) A MUDANÇA TÁTICA DO WILLIAN

Além do desgaste mexicano, um jogador foi decisivo no segundo tempo: Willian. Em vez de jogar aberto, ele voltou por dentro. Isso equilibrou o meio-campo, ficando agora três contra três. Além disso, apareceu toda a sua qualidade no passe e no lançamento, além da velocidade no contra-ataque e o bom chute de fora da área. Assim, foi o melhor jogador em campo no segundo tempo e uma das grandes razões para que o Brasil conseguisse se impor.

3) A LESÃO DE MARCELO FOI MENOS PIOR DO QUE SE ESPERAVA

O lateral do Real Madrid é o melhor do mundo na sua posição. Sua qualidade no ataque é indiscutível, além de ser uma referência para os companheiros. Contudo, Marcelo costuma ter problemas quando tem alguém atacando permanentemente pelo seu setor. Foi assim no fatídico 7 a 1, foi assim no seu clube e também no jogo contra a Costa Rica. A lesão do camisa 12 colocou em campo Filipe Luis. Muito mais discreto no ataque, o lateral do Atlético de Madrid tem um poder de marcação muito superior ao seu companheiro de posição. E no jogo de hoje, a presença de Hirving Lozano era uma ameaça constante, que o titular de hoje soube contra restar com muita mais competência do que o contundido Marcelo teria tido.


4) O PAPEL DE PHILIPPE COUTINHO E GABRIEL JESUS

Coutinho tem sido o destaque do Brasil na Copa do Mundo. Hoje, porém, não brilhou, embora taticamente tenha feito um grande jogo. No primeiro tempo, sofreu com a pressão mexicana, mas no segundo tempo voltou para ser o homem da saída de bola, além de fechar espaços pelo meio e impedir o avanço dos volantes mexicanos.

Já o atacante do Manchester City vive uma situação delicada. Chegou para ser o artilheiro, mas até agora com a bola nos pés tem tido uma produção bastante limitada e abaixo da expectativa. Contudo, tem mostrado um poder de marcação e recuperação de bolas muito acima do esperado, cumprindo uma função tática impecável. Hoje, o gol não saiu por centímetros, e Neymar completou para as redes. Seu reserva natural, Firmino, entrou e fez, mas o ex-Palmeiras tem crédito. Quando sair o primeiro gol irá deslanchar.


5) COMO JOGAR SEM CASEMIRO?

O ponto negativo do jogo de hoje foi a suspensão de Casemiro para as quartas de final. O volante do Real Madrid tomou o segundo cartão amarelo e está fora do jogo contra a Bélgica. Será um grande desfalque, especialmente pelo bom toque de bola e bom jogo aéreo dos europeus.

Tite deverá optar pelo substituto natural: Fernandinho deve ser titular na sexta feira. Se o Brasil perde em qualidade de passe, ganha um primeiro volante mais “raiz”, que não vai comprometer o funcionamento defensivo. Paulinho deverá continuar sendo primeiro marcador e depois apoiador. E contra outra equipe que joga com três homens no meio-campo, Willian mais centralizado já mostrou que é mais do que opção.


6) VELOCIDADE PARA CIMA DA BÉLGICA!

O Brasil se empolgou com o 2 a 0 japonês para cima da Bélgica, afinal, os europeus foram um dos bichos papões da primeira fase e chegam com “a melhor geração belga da história”. Se do meio-campo para frente tem qualidade, o mesmo não pode ser dito da zaga. Lenta, pesada e tecnicamente duvidosa. Tomaram dois gols dos japoneses e não levaram mais dois porque o goleiro Courtois é bem acima da média. Neymar e Gabriel Jesus tem a chance de ficar “de mano” com os zagueiros quase que o jogo todo. E se Coutinho conseguir avançar, ficariam três contra três. Não será fácil, mas está longe de ser impossível!


Créditos imagem: Jornal O Globo


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