TATICANDO O CORINTHIANS


Corinthians e São Paulo se enfrentaram no último domingo, pelo Campeonato Paulista, na Arena Corinthians. O tento foi alvinegro, mais uma vez. O tricolor nunca ganhou na casa corinthiana e segue essa sina na casa do rival. Mas vamos entender um pouco mais sobre a partida, de como o time de Carille chegou aos seus três pontos.


4-2-3-1. Esse é o esquema que Carille utilizou para enfrentar seu adversário. Dois volantes, com um deles de contenção (Ralf) e o outro saindo mais para o jogo, distribuindo as jogadas no meio-campo e sendo o principal elo entre defesa e ataque (Junior Urso). Pedrinho atuando pela ponta direita, fazendo a função de velocidade que o time tanto precisava, além de colaborar com a marcação junto com o Fagner.


Atuando pelo lado esquerdo no campo de ataque, Clayson assumiu a vaga que já foi de Sornoza, Vital, Jadson, mas que precisava de alguém no um contra um, que pudesse ter o folego necessário para atacar, puxar contra-ataque e ainda fazer a cobertura da lateral-esquerda. Peça importantíssima no clássico, pois foi quem mais conseguiu quebrar a marcação adversária. E por fim, Sornoza assumiu o papel de “10” e articulava mais as jogadas pelo meio.


A criação das jogadas era focada em um dos lados do campo, a troca de passes poderia começar pelo lado esquerda, mas em sua maioria trocava de lado para chegar ao campo de ataque. A movimentação do Fagner, Urso e Pedrinho confundia a marcação do São Paulo e a triangulação começava acontecer. Mas o entrosamento atrapalhava a equipe de Carille criar jogadas mais perigosas, além de querer acelerar demais as jogadas. Erros de passe irritavam a torcida.


O alvinegro alternava em determinados momentos o seu esquema tático. Com a bola, o Corinthians ficou no 4-1-4-1 ou até um 3-4-3, com Ralf fazendo a vez de líbero, Fagner como um ala e o Avelar segurando suas descidas.


A estratégia de deixar a posse de bola com o adversário fez do Corinthians um clube vencedor, porém previsível. Alguns adversários entendem essa estratégia do alvinegro e travam o jogo, deixam o Corinthians com a bola e acabam dificultando a criatividade da equipe. No domingo foi nesse estilo.



Foto: Thiago Bernardes/FramePhoto


Pouca criação e que a bola parada pudesse resolver. Um gol de escanteio, com a movimentação do zagueiro Manoel e com a participação dos outros jogadores corinthianos puxando toda a marcação mais para a marca da cal. O camisa 4 foi próximo ao bico da pequena área, no canto esquerdo e cabeceou para abrir o placar.


A jogada do segundo gol é o que vem sendo mais trabalhado pelo Corinthians. Troca de passe com velocidade, movimentação, drible, compactação ofensiva, triangulação. Fagner e Pedrinho trabalharam bem a bola e o cruzamento para dois centroavantes fez a confusão na defesa adversária. Love livre de marcação, buscou a bola na primeira trave e conseguiu “atrapalhar” Volpi, a sobra ficou com Gustavo, também livre, empurrar para o gol.


O quanto jogar com dois centroavantes pode ser um benefício? Justamente isso. Movimentar, tirar a marcação, ler onde a bola vai chegar, fazer com o que o Corinthians cresça em momentos decisivos. Carille reclamou de um time lento nos últimos jogos, com dificuldade na transição. Duas alterações fizeram a equipe mudar e ter opções na partida.


O treinador parece ter encontrado seu esquema, com bases essenciais dentro dos 11 titulares. Taticamente, o Corinthians mostrou que pode ter a essência de outros anos.