• Guilherme Morais

TATICANDO O SISTEMA DE SAMPAOLI


2019 começou para o Santos de uma forma diferente do que a torcida estava acostumada, ou não lembravam de tanta expectativa criada em cima de alguém para uma temporada. Não era um jogador, era Jorge Sampaoli. Um cara fora da curva para o que acostumamos ver no futebol brasileiro.


O DNA do clube fez com o que a relação com o treinador fosse ainda melhor. Sampaoli é um treinador que não temos ainda no futebol brasileiro, um ponto fora da curva ( talvez Fernando Diniz se aproxime mais das estratégias que o treinador santista propõe ao seu time). Não é só estar na beira do campo, é sentir o clima do jogo, como se estivesse dentro das quatro linhas. A sua proposta de jogo é bem clara, posse de bola, paciência, ofensividade e um futebol vistoso.


Os jogadores santistas tiveram que acostumar com esse novo sistema, não estavam acostumados com esse estilo, mas aos poucos a filosofia de Sampaoli foi entrando na cabeça dos atletas e hoje estão fazendo a melhor campanha do Paulistão, com o futebol mais interessante de se assistir.


Taticamente quando o Santos tem a posse de bola, a movimentação se torna o item principal para a equipe. Geralmente montado no 4-3-3, o esquema muda de acordo com cada jogada, começando com o goleiro, passando pelos zagueiros, Alison vindo buscar o jogo e se tornando um líbero para dar opções na criação de jogada. E outro ponto muito importante, bola no chão, nada de chutão para que os atacantes briguem pela bola. Sampaoli monta o time para criar e não para esperar o erro do adversário.


Algumas peças ainda faltam para o treinador, para que assim tenha uma equipe ainda mais qualificada e equilibrada dentro do campo, principalmente um lateral-esquerdo e um centroavante. Porém com as contratações de Soteldo, Cueva, a permanência de Derlis e a ótima fase de Jean Mota, essas carências ainda conseguem ser supridas. Um setor ofensivo leve, que muitas vezes estão formando um ataque com quatro ou cinco jogadores, variando de uma formação 4-2-4 e 3-2-5.



Ivan Storti/ Santos FC


O que impressiona é a facilidade que essa equipe, mesmo tendo algumas limitações técnicas, abraçou a ideia de Sampaoli e conseguiu entender o futebol. Estamos em uma fase do futebol brasileiro que não importa a qualidade do jogo, mas sim o resultado. O treinador argentino chega para mudar isso e dar a devida valorização que o futebol brasileiro merece.


Quando se tem alguém para pensar o jogo, organizar sua equipe para aproveitar cada centímetro do gramado, fica muito melhor de assistir. Porém nem tudo são flores para o esquema ofensivo do treinador. Porque ao mesmo tempo que ele preenche o campo adversário e força o erro para tentar roubar a bola, a sua defesa fica muito aberta, que pode ocasionar um gol da outra equipe.


Compactação também é uma virtude para qualquer esquema. Quando o Santos preenche o campo de ataque, sua última linha defensiva também sobe até a linha do meio-campo e principalmente faltando coberturas pelas laterais. Uma bola longa ou uma troca de passes com velocidade (principalmente num gramado maior), pode trazer dificuldades a defesa santista.


Esperamos que todos tenham paciência com o trabalho de Jorge Sampaoli, o futebol brasileiro precisa conhecer sua inteligência tática. O futebol brasileiro precisa muito mais de Jorge Sampaoli, do que ele precisa do futebol brasileiro.

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