• Leonardo Cruz

UM ANO PARA SE LAMENTAR

Foto: Franklin Jacome / Getty Images

Nesse curto tempo em que Carille ficou fora, o Timão até conseguiu disputar a final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, mas o vice-campeonato não foi suficiente para esconder a péssima campanha que o time fez no segundo semestre do ano passado. Período este em que o Corinthians não conseguia jogar bem e ainda fez uma campanha extremamente fraca no Brasileirão.


Com a volta do emergente e vitorioso treinador, a esperança da Fiel era que 2019 fosse muito promissor, com a retomada do bom trabalho construído em 2017 e consequentemente com a conquista de títulos. Inicialmente, com um elenco reformulado, o bom futebol acabou ficando de lado, Carille demonstrava dificuldades para acertar o melhor esquema tático, mas em contrapartida, os resultados mantinham a confiança de que tudo estava seguindo o caminho certo.


Ainda no primeiro semestre, o Corinthians conquistou o tricampeonato paulista contra o São Paulo, mas o próprio Carille reconheceu que sua equipe não havia sido merecedora da conquista por não ter praticado um futebol satisfatório durante a competição.


Com a chegada do Brasileirão que se desenvolveu de forma concomitante com a Copa Sul-Americana, o Corinthians alternava boas partidas com jogos simplesmente sofríveis, mas a taça já adquirida era o voto de confiança que a comissão técnica e os jogadores tinham para ter tempo para readquirir o melhor entrosamento durante o ano.


Com a parada para a disputa da Copa América, Fábio Carille teve tempo suficiente para conhecer melhor seu elenco e implantar seu estilo que havia sido vencedor em outrora, todavia as lesões e as convocações para mais variadas categorias da Seleção Brasileira o impediram de reunir neste período todo o seu plantel de atletas.


Os meses foram passando e levando consigo a paciência dos torcedores que já não viviam a “lua de mel” do início do ano com o famigerado treinador, o desgaste de Carille com o grupo de jogadores também era evidente, desde a declarações em entrevistas coletivas, como na postura dos atletas em campo que pareciam não estarem em sintonia com o comandante.


Os problemas ficaram extremamente evidentes após a derrota em casa para o Independiente Del Valle-EQU nas semifinais da Copa Sul-Americana, na entrevista coletiva após a partida, o técnico Fábio Carille externou sua insatisfação com alguns atletas como Pedrinho e Mateus Vital, falou também da falta de experiência de seu grupo de jogadores para este tipo de competição.


A partir deste instante, muita coisa mudou no Corinthians, o time passou a jogar cada vez pior, já era claro que muitos jogadores estavam extremamente insatisfeitos com o técnico. O jogo de volta no Equador foi uma mera formalidade, mesmo até o time jogando um pouco melhor, mas a eliminação foi algo que já era esperado por todos.


No Brasileirão, o Corinthians sofria derrotas em sequência, com um futebol abaixo da crítica, Carille parecia “anestesiado” a beira do campo, impotente e sem comando algum de sua equipe que após atingir a marca de 45 pontos na tabela, começou a despencar chegando ao cúmulo de correr o risco de nem se classificar para a Conmebol Libertadores.


A demissão de Fábio Carille foi inevitável, o técnico que assumiu o comando do Corinthians em 2017, dando sequência ao período vencedor construído por Mano Menezes e Tite, se via isolado e sem forças para reverter um quadro negativo que vinha crescendo em escala exponencial.


Com o fim do ciclo de Carille no comando do Corinthians, o Presidente Andrés Sanchez efetivou de forma interina Dyego Coelho, que com pouco tempo para tentar desenvolver seu estilo de trabalho, apenas conseguiu minimizar a trágica campanha que o alvinegro vinha fazendo nas últimas rodadas do Brasileirão para se garantir na Pré-Libertadores em 2020.


Neste período em que Coelho foi técnico interino, o Corinthians confirmou a contratação do treinador Tiago Nunes, do Athletico-PR, que assumirá a equipe apenas no início do próximo ano, mas já com grande responsabilidade não só de conseguir bons resultados, mas como de modificar toda uma filosofia de jogo que foi vitoriosa por praticamente uma década.


O futebol atual exige não somente que as equipes tenham boa consistência defensiva, mas que sejam protagonistas dentro de campo, que saibam produzir um jogo ofensivo efetivo, com jogadas trabalhadas e não sendo refém apenas de um único esquema tático o que limita de forma drástica todo um funcionamento de uma equipe de futebol que busca disputar as principais competições com possibilidades reais de conquista-las.

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