• Bruno Cassiano

UMA POR TODAS E TODAS PELO CORINTHIANS


Reunião do Movimento em Artur Alvim - ZL (FOTO: Divulgação/Movimento Alvinegras)

Segundo a última pesquisa do IBOPE sobre a maior paixão do brasileiro, realizada em 2013, 72% das mulheres são apaixonadas por futebol no Brasil. O esporte fica à frente de cerveja e carnaval. Mas por qual motivo um número tão expressivo não tem reflexo nos estádios do Brasil? A resposta é um problema, mas felizmente já há uma solução.


O maior motivo de uma torcedora não ir ao estádio acompanhar seu time do coração, é a falta de companhia feminina. A falta de outra mulher ou outras mulheres ao lado causa insegurança em um ambiente quase que completamente masculino. A luta, o grito e o sofrimento delas não são só por causa das partidas, mas também por causa da violência contra a mulher tão presente na nossa sociedade. É pensando justamente em diminuir esse problema que os coletivos femininos surgem.


No dia 16 de outubro de 2018 surgiu o Movimento Alvinegras, coletivo de torcedoras do Corinthians. “O intuito do grupo é unir meninas para ir ao estádio. Meninas que antes não se sentiam seguras e protegidas, agora têm essa opção.”, conta Rafaela Rosa, uma das administradoras do Movimento. O pontapé inicial foi uma sugestão de Alana Takano, que se inspirou no grupo VerDonnas (coletivo feminino de torcedoras do Palmeiras), ela passou a ideia para um grupo de Whatsapp de dez garotas que já frequentavam o estádio e a partir daí todas abraçaram a causa. Pediram apoio de alguns perfis relacionados ao Corinthians, para espalhar a ideia e em pouco tempo elas já não eram só dez garotas. “Ficou além do que imaginávamos, as meninas vieram no Insta e Twitter pedindo pra criar grupos no Whatsapp. Aí criamos um grupo fechado no Face para elas entrarem, colocamos os grupos no Whats por zona e elas conseguem acesso. O grupo fechado no face hoje tem 2.500 meninas” disse Rafaela sobre o rápido crescimento do grupo.



Símbolo do Movimento Alvinegras (FOTO: Reprodução/ Facebook - Movimento Alvinegras)

Hoje o Movimento Alvinegras já conta com nove grupos no Whatsapp divididos entre zona norte, sul, leste e oeste da capital paulista, ABC, Guarulhos, litoral, interior e Brasil, além de dois outros grupos para bater papo entre elas e dos grupos que são abertos especialmente para quem vai em determinado jogo. Para o último clássico Majestoso, três novos grupos foram abertos para reunir garotas com ingressos para o mesmo setor no estádio, mas acontece de às vezes só se reunirem antes e depois da partida, na volta para casa.


O aquecimento para o jogo acontece preferencialmente em um bar localizado em Artur Alvim, bairro da Zona Leste próximo à Arena Corinthians. Na rua do bar em questão para todos os lados para onde se olha, só se vê preto e branco nas calçadas, dentro dos estabelecimentos, em tendas e em bancos. Mas o que chama a atenção mesmo é a movimentação feminina em frente ao bar onde as Alvinegras se encontram. O número de torcedoras no pré-jogo de Corinthians e São Paulo foi de 50 a 75 garotas, que tornaram, como já é de rotina, aquele espaço um pedaço do estádio e cantaram a plenos pulmões as músicas de apoio e hino do Corinthians. A arquibancada é onde elas estão reunidas. São nestes momentos que um outro intuito do grupo se vê na prática, fazer novas amizades.


Dentro do estádio não é diferente, apoiam, cobram, gritam, choram e comemoraram, são ativas e ligadas ao jogo simbioticamente nos 90 minutos mais acréscimos que vierem. Todas elas desinibidas, sem medo, completamente livres e protegidas por elas mesmas para poderem se preocupar apenas com o que acontece em campo. Juntas elas são mais fortes, são vozes que não se calam e nem permitem que o machismo se cresça. São muitas e ao mesmo tempo uma só.


Em poucos meses desde a sua fundação, o Movimento Alvinegras vem tendo crescimento exponencial em número e grau de importância dentro e fora da torcida do Corinthians para mulheres de diferentes idades e lugares, independente da raça ou da crença. Em menos de seis meses, já dá para notar o tamanho e a força do impacto que elas causam. É um grupo de garotas que não aceita frases como “futebol é coisa de homem”, elas alteram uma errônea mentalidade social retrógrada que não aceita que as mulheres amam o futebol tanto quanto os homens. O impacto delas não é só no âmbito esportivo, elas impactam a sociedade com as ações e atitudes delas.


Existem vários outros movimentos femininos semelhantes no Brasil e mais vão surgir. As cores e os gritos são outros, os lados também não são os mesmos, mas apenas em campo. Fora dele a relação é de amizade e companheirismo, pois no geral, todas elas buscam e lutam por uma única coisa: Respeito. Para que possam sair com a certeza de que vão voltar e para que possam torcer da forma como quiserem com as roupas que quiserem. Para que mais mulheres se inspirem para ir colocar toda a sua paixão pelo futebol para fora em uníssono dentro do estádio. O sonho é o tempo onde a existência delas não seja uma necessidade, mas sim apenas uma oportunidade de se reunirem e serem elas mesmas.

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